HARRINGTON SAINTS/BOOZE & GLORY split 12″

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HARRINGTON SAINTS/BOOZE & GLORY  “Bruce Roehrs tribute” split 12”

Data de lançamento: Abril de 2011 (Estados Unidos)

Gravadora: Pirates Press Records

Track listing:

Harrington Saints “Claret & Blue”

Booze & Glory “Swingin Fucking Hammers”

Já viu um vinil em forma de martelos cruzados? E um vinil que contém os restos mortais de alguém? Pois é meu amigo, sempre surpreendendo, A Pirates Press Records em parceria com a Longshot Music e a lendária revista punk Maximum Rock-N-Roll lançou esse vinil inusitado para homenagear Bruce Roehrs, colunista da Maximum Rock-N-Roll e figura chave da cena punk/Oi! do norte da Califórnia, que faleceu em 2010 aos 60 anos.

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Para tornar as coisas ainda mais interessantes, além do formato do vinil, a versão preta contém as cinzas do homenageado. Isso mesmo, cinzas, os restos mortais! Por favor, façam isso com minhas cinzas quando eu for desta para a melhor. Vou deixar esse pedido no meu testamento! Que tributo!

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Bruce Roehrs na capa da Maximum RnR

As duas bandas já são velhas conhecidas de quem gosta de um street punk. Harrington Saints são de São Francisco e Booze & Glory de Londres.

Corre lá no site da Pirates Press que algumas cópias ainda estão disponíveis!

RAT CITY RIOT

ENTREVISTA BANNER rcr

Rat City Riot, o orgulho street punk de San Diego. Na ativa desde 2003, Noah e seus comparsas já passaram por selos independentes de renome, lançaram quatro LPs, alguns EPs e fazem da estrada sua segunda casa. Conheci o Noah em 2005 quando morei em San Diego. Cara gente fina, de fala mansa, leão de chácara, apaixonado por hot rods e bulldogs franceses. Nos tornamos amigos e tive o prazer de vê-lo novamente este ano, quando estive na Califórnia durante minha lua de mel. Se você nunca ouviu Rat City Riot, não sabe o que está perdendo. Uma mistura volátil de Oi!, hardcore e rock-n- roll fazem da banda uma das minhas favoritas da cena Oi! americana. Com a palavra, o fundador e vocalista, Noah Bricker.

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Vi o Rat City Riot pela primeira vez ao vivo na lendária Zombie Lounge, a extinta casa de shows em San Diego, onde você trampava como segurança. Vocês tinham acabado de lançar o CD Dirty Rotten Games pelo selo local Taang! Records. Você estava bem animado naquela época, mas parece que as coisas não deram muito certo com a Taang! né?

Noah: A Taang! foi para a Rat City Riot, assim como foi para várias bandas, um degrau para selos maiores e que ajudassem mais a banda. No começo era ótimo, pois conseguíamos vários shows por estar na Taang!, afinal, o selo tem um nome e certo prestígio. Eu ligava para marcar shows e o pessoal perguntava “Taang? Nossa, eles ainda são um selo ativo?” ou “Porra, eu achava que só prensavam discos antigos do The Business”, hahahahahaha! Enfim, o dono, Curtis, é um cara legal, um belo babaca às vezes, mas porra, a gente nunca esteve em um nível de banda onde ele pudesse foder a Rat City Riot monetariamente. Ninguém da banda ganha dinheiro tocando. Ah, e quer saber? Eu ainda recebo pelo correio cartas da Taang falando que a banda ainda deve ao selo uns mil dólares. Mas a cada carta esse número cai um pouquinho. Quem sabe um dia ele ainda vai mandar cheques pra gente. Mas olha, depois de treze anos com a Rat City Riot, não estou nem aí.

Minha maior reclamação que tenho do selo foi quando ele se recusou a mandar CDs para a gente vender na nossa primeira turnê americana com o The Business. Eu ligava pro cara e ele falava “CDs devem estar nas lojas, bandas em turnê não precisam vender CDs”. Bom, se ele tivesse enviado CDs para a gente vender a gente talvez já tivesse pagado o que devemos a ele. E qualquer banda que sai em turnê sabe que vendas de CDs e camisetas equivale à gasolina no tanque e comida na barriga, além de dinheiro para pagar o que devemos ao selo.

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O primeiro album Dirty Rotten Games só foi lançado em CD, existem planos para lança-lo em vinil?

Noah: Ouvi falar de uma “box set” da Taang! que talvez inclua esse disco. Ou talvez a Taang! irá lança-lo em LP quando ela ver que consegue tirar um lucro disso. Mas eu tenho uma “test pressing” (prensagem teste que a fabrica de vinil faz para mandar para a banda. Geralmente fazem apenas umas cinco cópias). E vi também uma capa do LP na loja da Taang! uns anos atrás, mas nunca peguei uma. Enfim, acredito que não temos o direito de prensar esse disco em LP por nós mesmos, então está nas mãos da Taang!. Aliás, nós regravamos a maioria das músicas daquele disco para quem sabe um dia lançar uma versão mais “suja” em LP.

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Depois da Taang! A banda migrou para a People Like You que lançou o LP Load Up, depois veio LP Better Than Nothing  pela I Hate People e por ultimo o LP Highway Hymns lançado pela Knockout. Três selos alemães. Mera coincidência?

Noah: Bom, é uma longa estória, vou tentar resumir. O cara que começou o selo People Like You, o Andre, foi espirrado do selo por alguma briga interna. Aí o selo “demitiu” todas as bandas que não eram lucrativas. O Andre então montou a I Hate People.  Quando decidimos lançar o LP Highway Hymns o cara estava passando por problemas financeiros. Mandamos a master para ele e o cara sumiu! Resolvemos tentar nossa sorte com a Knockout. O Kevin, nosso guitarra base, conhecia o dono, o Mosh, de quando ele tocava no Bonecrusher. Bom, o Mosh lançou o LP. Estamos felizes no selo. Mas em termos de apoio para a banda, é meio nulo, mas a gente sempre foi “D.I.Y.” (Do It Yourself) de coração, então funciona para gente.

Load Up (Encha o Tanque) e Highway Hymns (Hinos da Estrada), dois títulos de discos que remetem à estrada assim como a música Open Road. Turnês constantes parecem definir bem o espírito da banda, certo?

Noah: Com certeza! Eu queria era estar mais em turnê. Antes eu ficava seis meses em casa, aí eram dois ou três meses na estrada. As vezes até seis meses quando pegávamos pesado, depois seis meses em casa se recuperando, compondo, gravando. Esse ano tem sido onze meses de trabalho. E três semanas e meio na estrada, horrível isso. Terrível. Mas eu e os rapazes temos contas para pagar e nosso trampo. Mas deixo meu trampo de leão de chácara sempre flexível para a banda poder fazer as turnês.

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No LP Highway Hymns (meu favorito), vocês tocam uma música chamada I Feel Like Hank Williams Tonight, um cover do artista country Jerry Jeff  Walker. No caminho de San Diego para Los Angeles, eu e minha esposa fomos ouvindo o CD no carro e aí apareceu essa música, totalmente atípica, onde você canta sem forçar a voz. Ficamos surpresos, pois ela foge totalmente do estilo da banda, mas funciona, é uma música linda. Acabamos ouvindo ela no carro várias vezes seguidas, foi a trilha sonora da nossa viagem. Você pensa em gravar mais músicas neste estilo?

Noah: Pode crer, Jerry Jeff Walker é foda! O nosso guitarrista Andy faz vários covers dele no seu projeto solo acústico Smokeboss. Tocamos ela no ensaio e eu cantei ela como eu sempre canto todas as outras músicas. O Andy pediu para eu pegar mais leve no vocal, para mim não foi tão natural, mas me diverti gravando ela para o disco. E com certeza, uma música country inesperada em um disco é sempre bacana.

Este ano tive a oportunidade de ver a RCR ao vivo novamente, dividindo o palco com a banda Hudson Falcons em San Diego. É outra banda, diferente da que eu vi em 2005. Membros diferentes, mais redonda e muito mais profissional. Me fale um pouco sobre essa rotatividade de músicos, parece que a cada disco temos dois ou mais novos integrantes.

Noah: Cara, a Rat City Riot parecia uma verdadeira agência de turismo por um tempo. As pessoas sabiam que a banda fazia turnês na Europa todo ano e entravam na banda para viajar. Bom, aí quando tínhamos que trabalhar como banda, e já não era mais tão glamoroso e comfortável e eles não conseguiam fazer todas as coisinhas de turista que eles queriam fazer, eles pulavam fora depois da turnê. Uma porta giratória de mebmros é bem comum. Eu sou o ultimo membro original, tipo o Highlander! “Só pode haver um!” hahahahahhaha! Bom, voltando às turnês, eu sempre falava para eles que a cada turnê seria mais fácil, seríamos tratados melhor e que agendar os shows ficaria mais fácil. Nas últimas três turnês europeias fizemos uma cacetada de coisa legal. Finalmente conhecia a igreja feita de ossos perto de Praga. Puta lugar louco!

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Quando visitei sua casa este ano, você me mostrou um hot rod desmontado na garagem. Hot rods são seu hobby?

Noah: Eu tento fazer disso meu hobby, carros e motos. Mas para falar a verdade acabo pegando tantos projetos que já fazem alguns anos que não termino nenhum. Tem sempre uma turnê ou uma van para ser usada na turnê que consome toda minha grana. Então meus projetos de hot rod andam bem devagar. Mas eu gosto pra caralho. Para mim é uma terapia, algo muito zen trabalhar nos projetos ao invés de ver os projetos prontos.

Todos meus amigos skinheads americanos possuem um pequeno arsenal em casa. Explique para nós, brasileiros, essa fascinação americana por armas de fogo. Você é um membro da NRA (National Rifle Association) correto?

Noah: Hahaha. Verdade, tenho algumas armas em casa. Sim, sou membro da NRA. A segunda emenda da constituição americana que nos dá o direito de ter armas é uma grande parte da história americana e do porque os EUA foram moldados e formados da maneira que era para ser. Recentemente meu direitos como um americano tem estado sob ataque e a NRA é uma força que luta contra isso. Então apoio a NRA como posso, por meio de doações.

Noah e eu na sua casa em San Diego. Junho 2014. Foto: Paola Zambianchi

Além de conhecer sua coleção de armas, também tive o prazer de fuçar na sua coleção de discos. O que você coleciona? Qual a joia da sua coleção?

Noah: Difícil escolher. Talvez meus favoritos seriam minha coleção de sete polegadas, incluindo os primeiros do Madball, Judge e Gorilla Biscuits, todos são primeira prensagem. Falando em doze polegadas talvez algumas prensagens teste que tenho meu LP do Reagan Youth com o encarte que abre para virar um pôster, prensagem original.

Qual foi o último vinil que você adquiriu?

Noah: Na última turnê peguei os discos da Victory e da Assault And Battery.

Nesta sua última turnê americana, a Sons Of The Republic Tour, qual foi a banda que você tocou junto que mais te impressionou?

Noah: Victory da cidade de Minneapolis foi foda. São uma banda nova da gravadora Oi! The Boat. Skinhead Oi! Direto com uma grande energia. Adoro os caras.

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Vocês estarão presentes no LP tributo ao Rancid que o Lars Frederiksen está montando. Com que música? Como surgiu o convite?

Noah: Gravamos Lock, Step and Gone do LP And Out Come The Wolves. O Lars é um bom amigo meu. Mostramos a gravação pra ele e ele curtiu.

Bom Noah, valeu pela atenção, espero vê-lo novamente em breve. Grande abraço!

Noah: Espero ver você no Brasil. Vamos armar alguma coisa! Preciso divulgar a banda aí, pegar uns caras emprestados para fazer uma turnê brasileira, mas eu topo! Valeu pela entrevista Henrike.

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REBEL SOUND

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O selo Rebel Sound mal completou três anos de vida e já abrange um catálogo invejável. Criado por Brett Weiss, dono do selo Black Hole Records e Todd Radict ex-vocalista da lendária banda punk The Radicts, o selo segue com toda convicção na contramão da indústria fonográfica, apostando em bandas veteranas que gravam material novo e lançando tudo apenas em vinil.

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Todd Radict em sua loja de disco Skeletone Records em New Hampshire.

Quando recebi o LP de estreia do selo, SKUM, dos veteranos Abrassive Wheels, fiquei meio com um pé atrás, afinal os ingleses não lançavam nada novo há mais de vinte anos e seus LPs antigos são verdadeiros clássicos do punk inglês como o LP When The Punks Go Marching In de 1982, um dos discos que mais gosto daquela época áurea. Bom, a cor do vinil começou bem, rosa chiclete (edição limitada de 100 cópias) para combinar com a arte da capa. As melodias continuam lá, assim como o vocal característico, mas claro que não soa como a banda dos anos 80, soa mais como as bandas street punks de hoje que eles tanto influenciaram. Porém, um bom disco pra quem gosta de um punk rock honesto.

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Você se diz “punk” e nunca ouviu Menace? Então abaixe esse moicano, pendure sua jaqueta rebitada e se trate urgentemente com uma boa dose dos cinco compactos que a banda inglesa lançou no final dos anos 70, cada um, um pequeno pedaço da história do punk. Pois bem, a Rebel Sound tratou de fazer do ótimo LP Too Many Punks Are Dead (que título apropriado!) seu segundo lançamento. A banda já tinha gravado três discos que saíram em CD entre 2001 e 2008 e agora voltam com um disco recheado de músicas que grudam na sua cabeça. Meu vinil é branco (edição limitada de 100 cópias), mas também existem as versões em vinil vermelho e preto.

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Na sequencia temos o EP de outra banda que também mantém seu lugar de honra na tribuna do punk britânico, The Enemy. Eu tenho o excelente LP Last But Not Least de 1984 que, aliás, foi a última coisa que gravaram até a Rebel Sound arrancá-los da aposentadoria e lançar o EP Lie To Me. E não é que os tiozinhos conseguiram gravar um puta EP! Uma volta em grande estilo. Altamente recomendado para quem gosta de punk inglês.  Cem cópias cada em vinil branco, preto e vermelho.

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O LP Boots & Ballads da banda street punk irlandesa Runnin Riot, originalmente lançado em CD em 2009, finalmente teve um lançamento digno em vinil pela Rebel Sound e vale cada centavo. Ótimas músicas com refrãos que fazem você cantar junto (aliás, enquanto escuto o LP pela décima vez e escrevo esta resenha, minha esposa assobia o refrão da música That’s When The Boots Fly In). Um grande disco desta banda de Belfast que está na ativa há pelo menos duas décadas e merece sua atenção. Um dos melhores discos do selo.

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Foreign Legion, do País de Gales, são de 1984, já tiveram um LP produzido pelo notório Mick Jones (The Clash) e agora soltam esse torpedo em forma de vinil, Light At The End Of The Tunnel. Um LP sólido do começo ao fim. Oi! simples com um som característico e uma batida contagiante. Outra bela surpresa da Rebel Sound em conjunto com o selo Aggrobeat.

O EP Lines da banda Epic Problem traz um som street punk mais moderno e muito bem produzido, e os ingleses mostram que não estão de brincadeira quando a agulha encosta no lado B e começa a música Sink, um verdadeiro hino seguido por um lindo cover do Beltones! Formada em 2010, esse é o terceiro lançamento deles e minha agulha não sai do lado B!

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Fugindo um pouco do clima cinza do Reino Unido, a Rebel Sound foi até a ensolarada Sydney, na Austrália para escolher seu próximo disco e voltou com o EP Rough Ready & Razored da banda street punk Rust. Formada em 2005, seus integrantes são velhos conhecidos da cena australiana. O EP em vinil vermelho é um assalto sonoro não recomendado para os mais fracos do coração. Uma pegada bem britânica com um toque dos bad boys originais da Australia, Rose Tattoo.

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Rust também está presente no Split EP Olde World New World. O vinil dourado tem Rust no lado A, que mantém seu ataque sonoro e não tira o pé do acelerador nem no cover de Concrete Jungle. No lado B os ingleses do Keyside Strike misturam psychobilly e hardcore em três sons poderosos e ainda detonam um cover foda de Youth do Blitz. Aliás, todos os singles e EPs do Rust estão reunidos no LP Doctors, Lawyers, Strippers and Fools.

Quando o vinil é cor de cerveja já é um ótimo sinal! Pois bem, os australianos do Plan Of Attack com o EP Brisbane Oi! glorificam a dura vida skinhead com um vocal rouco e de quebra fazem uma homenagem aos padrinhos Rose Tattoo, que as bandas australianas parecem idolatrar.

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Shameless é um trio skinhead da cidade de Lyon na França. O picture disc Guilty é uma reprensagem do disco de estréia que saiu em 2012 na França. Dez hinos Oi! cantados em inglês fazem do belo picture disc (edição limitada de 500 cópias) uma grande aquisição para quem coleciona Oi!

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Das ruas de Los Angeles, surgem os skinheads da banda Toughskins com o EP Keep The Faith. A banda já está na cena faz umas duas décadas cantando a sobre o lado sujo e violento da cidade dos anjos. Músicas rápidas com letras agressivas, como o petardo Crack Some Skulls (Arrebentar Uns Crânios) fazem desse vinil uma bela aquisição para quem gosta de um Oi! americano bem tocado e bem produzido.

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Continuando no tópico “American Skinheads”, seguimos em frente com o Split EP Colorado Oi! Um verdadeiro petardo. Cru e simples. O lado A já começa arregaçando com a 99 Bottles, banda relativamente nova, que surpreende na ótima Skinhead Violence. Total Annihilation segundo a própria banda, faz um “Oi! patriota politicamente incorreta para hooligans” (um prato cheio para os antifas!) e manda um som próprio mais um cover do Templars no lado B. Definitivamente este não é um disco recomendado para os fracos de coração.

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Pittsburgh, conhecida como a “cidade do aço”, é o berço dos americanos Traditionals. Já em seu quinto álbum, Steel Town Anthems, os calejados veteranos cantam as mazelas e conquistas da classe trabalhadora em um disco pesado, acelerado e extremamente bem produzido. Street punk de peso.

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Do Texas temos a Sniper 66, street punk com direito a moicanos e rebites! O LP homônimo é um ótimo primeiro disco, uma grande estreia. A banda foi formada em 2009 e os caras estão para lançar seu segundo LP ainda neste ano. Enquanto isso corre atrás desse LP que é diversão garantida na sua sua próxima festa punk.

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Como de praxe, gosto de deixar o melhor por último, e se você leu até aqui, sorte sua, porque esse dez polegadas é um daqueles discos que eu falo que “tem que ter!”. Super caprichado, da capa gatefold à produção das músicas, a Dog Company mostra porque já merece estar no meu top 5 deste ano com o disco War Stories. Há uma década atrás, das cinzas da banda horror punk The Staggers, surgiu a Dog Company. Esse é o terceiro e melhor disco deles. Punk Rock melódico cantado com vontade. Só sonzera do começo ao fim. Meu vinil é cinza, mas também vem nas cores verde exército, mostarda e preto.

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A Rebel Sound promete muito mais lançamentos para este ano, como Vanilla Muffins, Antagonizers ATL, The Warriors, Anti Nowhere League entre outros. Fique esperto no site da REBEL SOUND para não ficar por fora das novidades.  Você pode encontrar esses discos na loja do Todd, a Skeletone Records, já encomendei coisa por lá e o cara é super honesto. E para deixar você ainda mais feliz, alguns lançamentos do selo estão disponíveis aqui mesmo no Brasil na loja virtual da Hearts Bleed Blue.

E fique esperto no programa de rádio Semper Adversus na Antena Zero, toda quinta às 22:00. Lá você ouve os discos da Rebel Sound entre outros petardos.

LENNY LASHNEY’S GANG OF ONE “Illuminator”

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LENNY LASHNEY’S GANG OF ONE “Illuminator” LP

Data de lançamento: Junho de 2013 (Estados Unidos)

Gravadora: Pirates Press Records & Panic State Records

Track listing:

A1. Kingston
A2. Hooligans
A3. White Man
A4. Happily
A5. Anti-Christmas
B1. U.S. Mail
B2. Heavens Gate
B3. Don’t Exist
B4. Gates
B5. Re-Covering

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Picture disc 7″ (Holdfast Records) e o “US Mail” flexi disc (um cartão postal que toca na sua vitrola!)

Em outubro de 2005 fui ver o Dropkick Murphys ao vivo em San Diego na California. Na turnê The Boston Invasion eles levaram algumas bandas de Boston para abrir, como Gang Green, Lost City Angels e outra que eu nunca tinha ouvido falar, Darkbuster. No camarim o Al Barr falava muito dessa Darkbuster, que eu ia gostar, que os caras eram foda, blá blá blá, mas eu queria mesmo era ver Gang Green tocando aquela podrera skate HC que eu tanto ouvia quando era moleque pelo antológico LP This Is Boston Not LA. 

Quando o Darkbuster subiu no palco para abrir o show não dei nem bola. Afinal, ia ver Gang Green e logo mais testemunhar DKM. Mas bastaram alguns acordes para chamar minha atenção. Punk rock rápido, melódico, curto e grosso. Virei fã naquele momento. Depois do show do DKM, já no estacionamento, o Al Barr me apresentou ao Lenny, guitarrista e vocalista do Darkbuster. Perguntei se tinha CD ou camiseta para vender, mas eles não tinham porra nenhuma. “Vamos lançar um CD em breve” disse ele, “fique ligado”.

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O CD do Darkbuster A Weakness For Spirits acabou saindo um ano depois pelo selo I Scream Records, mas infelizmente nunca saiu em vinil. E é ótimo do começo ao fim. A voz do Lenny é muito única. Um belo trabalho. Tem som lá que é destruidor demais como Skinhead (vídeo clipe desse som é foda!), Stand And Deliver  e London Town. Mas nunca mais ouvi falar da banda.

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LP vinil prata

Até que ano passado a Pirates Press Records junto com a Panic State Records lançaram o LP Illuminator, novo projeto do Lenny, intitulado Lenny Lashney’s Gang Of One em vinil dourado! Sim, meu filho, cor de ouro! E olha, na boa, um dos melhores discos que ouvi em 2013. Você sente a emoção na voz do cara e não é um disco emo. É punk ROCK ‘n’ ROLL puro com riffs e refrãos que vão te deixar de boca aberta.

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Vinil versão bronze. Lenny e os Street Dogs com quem tocou na turnê deste ano como guitarrista.

A honestidade transborda dos sulcos do vinil assim que a agulha toca a primeira faixa, Kingston que já deixa o clima pronto para a grandiosa Hooligans que vem na sequencia e o disco segue lindo e perfeito até a agulha parar no final do lado B. Puta que pariu, fazia muito tempo que eu não ouvia um disco assim, tão sincero, real e poderoso. Uma obra prima. Merecia virar disco de ouro de verdade. A primeira prensagem esgotou rapidinho, então a Pirates Press tratou de fazer a segunda prensagem em vinil prata (gênios!). Essa também esgotou e na terceira prensagem o vinil tem cor de bronze!  Um disco incrível. Corre atrás, “tem que ter”.

Confira o vídeo clipe da música US Mail que abre o lado B do disco. A Pirates Press acaba de lançar um flexi disc single com essa música. Um flexi disc nada mais é que um cartão postal que toca na sua vitrola! Vem encartado na terceira prensagem do LP.

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Primeira prensagem. Vinil dourado em três versões.

 

EVIL CONDUCT

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Quem me conhece ou me segue no facebook sabe que Evil Conduct é minha banda Oi! favorita. Criada na Holanda em 1984, o trio era originalmente formado por Han na guitarra e voz, Ray na bateria e Frans no baixo. Essa formação gravou dois singles e os clássicos LPs Sorry…No! de 2000 e Eye For An Eye de 2002, ambos já fora de catálogo mas relançados em vinil picture disc em 2009 pela Knock Out Records. Em 2005, com a saída de Frans, a banda recrutou o então garoto Joost para segurar bronca no baixo e é com essa formação que a banda resiste até hoje tendo lançado mais três LPs: King Of Kings (2007), Rule O.K. (2010) e Working Class Anthems (2012) além de alguns EPs e splits com outras bandas. É uma honra ter o Evil Conduct inaugurando a seção de entrevistas no site Semper Adversus. Senhoras e senhores, punks e skins, hooligans e rude boys, com vocês Han e Jools num bate papo sobre discos, música e a história dessa banda que já gravou seu nome no Hall Of Fame do punk rock!

EVIL CONDUCT 1

O Evil Conduct está sempre lançando discos colecionáveis, edições limitadas em vinil colorido e acaba de lançar um box set incrível com oito discos de sete polegadas (16 Oi! Scorchers! Randale Records). Vocês colecionam discos? 

Joost: Eu não me considero um colecionador de discos, mas eu compro um monte de discos e CDs para apoiar as bandas que eu gosto e também porque não gosto de fazer o download da música e ouvi-la através de um computador ou Spotify. Na minha opinião Spotify é uma merda, porque você pode ouvir tanta música que nada mais é especial e além disso alguns discos precisam ser tocados algumas vezes mais para você perceber o quão bom eles realmente são.

Qual é o tesouro da sua coleção de discos?

Joost: Prince Buster “King of Ska”. É um CD, mas estou muito feliz com ele. Tem ótimas músicas. Vi Prince Buster ao vivo na Bélgica e foi fantástico!

Qual é o seu disco punk favorito? E o favorito sem ser punk rock?

Joost: É muito difícil dizer. Eu gosto de um monte de discos e bandas. Claro que todos os clássicos como CockSparrer, The Ramones, Sham 69, The Business e assim por diante. Mas eu também gosto muito dos novos álbuns do Booze & Glory, Lion’s Law e Bishops Green. Também sou um grande fã da banda Gimp Fist.

O melhor álbum sem ser punk rock também é difícil. Eu ouço um monte de reggae e ska, mas também Johnny Cash, The Pogues, heavy metal tipo Iron Maiden, AC/DC e Motorhead. Ouço até Roy Orbison. Eu também gosto de música alemã “Schlager” especialmente quando estou bêbado!

Han: Bom, minha banda punk favoria seria o Last Resort, qualquer disco deles. A minha favorita sem ser punk rock, com certeza é o The Pogues.

EVIL CONDUCT 2

Han, o Evil Conduct acabou em 1988 e uma década depois voltou. O que você fez nesses dez anos?

Han: Sim, a banda deu uma pausa por dez anos. Eu me dediquei à arte de tatuar. Depois de um tempo muitas pessoas ficavam insistindo para a banda voltar e a demanda era tão alta que resolvemos voltar a tocar. Tem dado certo até agora!

Como vocês começaram a se envolver com punk rock?

Han: Bom, a razão por eu ter virado skinhead foi a era 2 Tone, lá pelos anos 80. Depois fiquei interessado pelo Oi! E pelo visto nunca irei mudar!

Joost: Quando eu era um moleque de 10 ou 11 anos de idade comecei a ouvir Iron Maiden e AC/DC. Ainda gosto muito dessas bandas. Aos 14/15 anos eu comecei a ouvir hardcore. Existia uma grande cena underground no sul da Holanda com bandas como Backfire, Right Direction, Tech 9, Violation Of Trust e muitas outras.

Quando eu tinha 16 anos, eu e meu melhor amigo fomos a um show da banda One Night Stand (que era um projeto do vocalista da Right Direction) a gente estava muito a fim de ver essa banda. Uma tal de The Business também estava escalada para tocar neste show e nós pensamos que eles eram uma banda pequena que iria tocar mais cedo porque nós nunca tínhamos ouvido falar deles. Isso foi por volta de 1999/2000 quando a cena Oi! estava praticamente morta na Holanda e a gente nem fazia idéia do que era esse tal de Oi!. Pois bem, no dia seguinte corremos para a loja de disco para encomendar os CDs do The Business! E assim começamos a ouvir Oi!. Comprávamos todos os álbuns clássicos do gênero e um belo dia ficamos sabendo que havia uma banda Oi! chamada Evil Conduct que era da nossa cidade. Da nossa cidade! Não era possível, uma banda local! Logo comecei a perguntar às pessoas onde eu podia conseguir os discos dessa banda. Vimos um flyer do Evil Conduct e resolvemos ir no show. Nesse dia, Evil Conduct se tornou minha banda favorita. Comprei a camiseta na gig (eles só tinham um único modelo na época) e usava ela uma vez por semana. Eu escutava o LP “Sorry No” quase todos os dias quando eu chegava em casa da escola. Fui também na festa de lançamento do disco “Eye For An Eye” e toquei tanto este CD que a minha primeira cópia nem funciona mais. Hoje em dia eu tenho o álbum em LP e CD, claro! Hahaha! Mas nem ouço mais esses discos porque hoje em dia toco as músicas em todos os ensaios! Acho que essa é a única coisa negativa sobre eu ter entrado no Evil Conduct, não colocar mais os discos para ouvir.

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“A Way Of Life”, primeiro single. 1990. Mad Butcher Records. Raridade!

Vocês tiveram outras bandas antes do Evil Conduct? Se sim, algo foi gravado e lançado?

Joost: Com 14 anos comecei a tocar baixo. Eu tocava com alguns amigos em bandas diferentes, mas nenhuma dessas bandas nunca nem tocou ao vivo.

Han: Sim, de 1983 à 1985 eu e o Ray tocamos na nossa primeira banda chamada STRESS. Era uma banda punk Oi! Mas nada foi gravado. Era eu, o Ray mais dois guitarristas, mas naquela época eu só cantava.  Quando os dois guitarristas saíram, continuamos com um novo nome, Evil Conduct e além de cantar comecei a tocar guitarra.

Han, existe alguma gravação inédita do Evil Conduct que ainda não foi lançada?

Han:Não, não temos nada inédito. Tudo que gravamos foi lançado.

Joost, como você entrou para o Evil Conduct? Houve um teste? Você é obviamente mais jovem do que Han e Ray, você acha que era necessário sangue novo na banda quando você entrou?  

Joost: Como eu já disse, eu era um grande fã do Evil Conduct e eu e meus amigos tentávamos ir em todos os shows. Eles não tocavam muito naquela época, mas eu acho que nós os víamos umas quatro ou cinco vezes por ano. Depois de um tempo fomos para o estúdio de tatuagem do Han, o King Of Kings para sermos tatuados pelo vocalista do Evil Conduct. Minha primeira tatuagem foi uma grande águia no peito que tem um escudo escrito Oi! dentro dele. Naquela época éramos um grupo de dez caras que iam em tudo que era show de hardcore e Oi!. Todos eles têm pelo menos uma tatuagem do Han. Claro que hoje eu que tenho mais! Hahaha!

Depois de um tempo, alguns de nós nos tornamos amigos do Han e do Ray porque a gente sempre se trombava em shows do Evil Conduct, em shows de outras bandas e no estúdio de tatuagem do Han.

Em novembro de 2005 eu fui a um show do Mad Sin. Han e Ray também estavam neste show, me falaram que seu baixista tinha deixado a banda e me perguntaram se eu queria entrar pro Evil Conduct. Pensei que estava sonhando … Porra, antes do Evil Conduct eu só tinha tocado com alguns amigos em um estúdio de ensaio. Eu nunca tinha subido em um palco e muito menos tocado ao vivo.

Mas quando eu comecei a ensaiar com o Evil Conduct  tudo correu muito rápido, porque eu já sabia tocar todas as músicas.

Umas sete semanas depois de ter entrado na banda toquei o primeiro show com eles. Poucas semanas depois eu já estava em uma mini turnê com 4 Promille, Hard Skin e The Traditionals em quatro cidades alemãs. O show em Leipzig foi para uma multidão de 700 ou 800 pessoas. Era incrível como as coisas tinham mudado na minha vida, em tão poucos meses!

Não sei se era necessário sangue novo no Evil Conduct, mas depois que entrei na banda começamos a tocar com muito mais frequência ao vivo do que antes. Novembro de 2005 parece até que foi ontem, mas já gravei três álbuns e o quarto está a caminho.

capas EPs

EPs e singles.

Falando em álbuns, qual foi o último disco que você comprou?

Joost: O último LP que eu comprei foi o novo disco do The Trojans. Tenho comprado muitos EPs recentemente, tipo o split 10″ Noi!se/Streetdogs, o 7″do Hawkins Thugs, da Rude Pride, o novo 7″ do The Business e algumas outras coisas.

Joost, você sempre aparece nas fotos com camisetas de bandas, como Gimp Fist, Lion’s Law e Blind Pigs! Que bandas você tem escutado ultimamente?

Joost: Hawkins Thugs, Knock Out (uma nova banda de Madrid), Rude Pride (também de Madrid) e eu realmente gosto muito da Shock Waves. É meio engraçado que todas essas bandas são de Espanha e do País Basco. Parece que a cena está ficando cada vez maior por lá. Nós gostamos de tocar na Espanha, Catalunha ou País Basco. Há uma grande hospitalidade e vibe por lá. Talvez mais ou menos a mesma vibe como seria no Brasil? Claro que também nos divertimos em todos os outros shows, mas shows na Espanha, Catalunha e País Basco são sempre especiais.

capas EPs II

Split singles e a caixa “16 Oi! Scorchers!”

Sabemos que Han tem seu estúdio de tatuagem, o King Of Kings. Mas e você Joost, o que você faz quando não está em turnê com o Evil Conduct? 

Joost: Eu tenho um trabalho de escritório em Roermond (a cidade onde eu vivo). Não é nada especial, mas Evil Conduct  é o meu interesse número um. Não tem como ganhar dinheiro tocando Oi!. Mas na real, isso não importa, porque os shows se tornam mais especiais quando não temos que tocar três ou quatro vezes por semana, mas apenas duas vezes ao mês.

Meus hobbies são ir à shows Oi!, punk, ska e de reggae. Beber com os amigos e viajar com a minha namorada para cidades como Londres, Roma, Varsóvia, Berlim, Veneza, etc. Ela é uma skingirl, então quando temos a oportunidade também vamos a shows locais quando estamos em uma viagem curta.

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Os LPs

Han, depois de lançar os primeiros dois LPs pela Knockout Records, o LP Working Class Anthems foi lançado pela Randale. Porque houve essa mudança?

Han: A Knock Out fez muito pela banda no começo. Nós já tínhamos ótimos contatos com a Randale e a Knockout num certo ponto começou a não ser um selo tão ativo quanto era antes. Aí decidimos migrar para a Randale.

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As versões picture disc dos dois primeiros LPs, o LP “Working Class Anthems” e o LP duplo “16 Oi! Schorchers!”

Podemos esperar algum material novo para 2014?  

Joost: Vamos lançar um split single com o Gimp Fist em agosto pela Randale Records. Nossa música se chama That Old Tattoo, o vídeo clipe dela acabou de sair. Nosso novo disco Todays Rebellion será lançado no primeiro dia de outubro.

Ok, ficaremos no aguardo! Obrigado pela atenção e esperamos ver o Evil Conduct em solo brasileiro em breve! Enquanto o disco novo não sai, a gente fica com o video clipe novo: That Old Tattoo.

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EVIL CONDUCT. Han, Ray e Joost.

SINDICATO Oi!

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Douglas84 – voz; Indio – voz e guitarra; Português – bateria & Soleta – baixo e voz

Entre as bandas que estarão presentes na coletânea em vinil PARA INCOMODAR – Street Punk Brasil Vol.1 (lançamento Novembro 2014 pela HBB) nenhuma incomoda mais do que os paulistas do Sindicato Oi!, banda formada em 2001. Depois de lançar uma demo em 2005 a banda deu uma pausa para voltar com tudo ano passado com duas faixas, Lixo e a Fúria e Apenas Mais Um no CD coletânea Brasil Oi! lançado em parceria pelos selos The Firm e Rotten Records. Nossa conversa é exatamente com o responsável pela Rotten Records, ex-Garotos Podres e atual baterista do Sindicato Oi!, meu amigo de longa data, Luis Português.

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Fala Português, me conta um pouco sobre sua entrada no Sindicato Oi! e os planos da banda para o futuro próximo.

Português: O Douglas estava em contato com o Indio e o Soleta que fundaram a banda, para a volta do Sindicato Oi!, mas precisavam de um batera. Como sou amigo do Douglas rolou o convite e como tinha vontade de voltar a tocar, topei na hora. Com essa formação gravamos até agora 8 músicas, na maioria regravações de músicas da própria banda. Depois de participar da coletânea Brasil Oi! da The Firm Records, e da coletânea PARA INCOMODAR. Temos planos de lançar um EP em vinil, ainda estamos analisando as possibilidades.

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Quando comecei a sondar bandas para participar da coletânea PARA INCOMODAR algumas recusaram o convite, pois o Sindicato Oi! estaria presente nela. A banda levanta alguma bandeira política?

Português: A banda não levanta nenhuma bandeira política, procuramos retratar nas músicas todo o espírito rueiro da cultura skinhead, sempre com respeito e sem preconceito.

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Português hoje no Sindicato e nos anos 80 com o Garotos Podres.

Bom, chega de politicagem e patrulhamento ideológico e vamos falar um pouco sobre seu selo, Rotten Records, que lançou vários CDs nos anos 90 e agora volta à ativa com o CD Brasil Oi! Antes de qualquer coisa, quero deixar claro que a minha coletânea PARA INCOMODAR  é claramente inspirada nas antológicas e infames coletâneas Oi! Um Grito de União lançadas pela Rotten. Alguma chance dos antigos lançamentos da Rotten, que só foram lançados em CD terem uma edição em vinil agora que o vinil está novamente em evidência?

Português:  Sim, tem chances de reeditar algum material antigo da Rotten Records em vinil, mas ainda não tem nada programado, mas no futuro, quem sabe?

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Cara, você coleciona vinil? Qual é pérola da sua coleção?

Português: Não sou colecionador de vinil, tenho alguma coisa que adquiri com o passar dos anos, mas gosto muito do formato. Tenho alguns discos do inicio do punk nacional: Inocentes, Cólera, Olho Seco, Garotos Podres (claro) etc. Acho que o mais difícil de achar é um EP do Garotos Podres, que foi editado na França pelo selo One by One nos anos 90. Foram prensadas 500 cópias, só que essa edição que eu tenho foram feitas poucos exemplares com a capa de cor diferente.

Porra, esse compacto eu preciso ver, não sabia que existia isso. Português, um prazer, como sempre, trocar ideia com o senhor. O espaço é teu, manda teu recado!

Português: Pra encerrar, queria parabenizar pela sua iniciativa, e pelo seu vigor em sempre estar produzindo algo, impressionante Henrike como você está na ativa, seja com banda, webzine, organizando coletânea, programa de rádio, participações em gravações,etc…Parabéns e se a cena tivesse mais “Henrikes” seria muito melhor. Isso tudo que está fazendo vai trazer uma grande contribuição pra cena em geral, isso inspira as pessoas, continue assim, colocando a “cara a tapa”. Abraço!

Hahahaha, valeu Portuga! Apendi muito com você meu brother! Abraço!

SÖTLIMPA “A Non Fitting Generation”

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SÖTLIMPAA Non Fitting GenerationMini LP

Data de lançamento: 1984 (Suécia)

Gravadora: Skvaller Records (PROFIT 003)

Track Listing:

A1. Snutvald
A2. Stark
A3. Ayatholla Power
B1. Farligt?
B2. Mölndal
B3. Kallekung
B4. Soldatslakt
B5. Lita Pa Dig Själv

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Quando começamos o Blind Pigs em 1993 eu já conhecia a maioria das bandas inglesas 77 e hardcore americanas dos anos 80. Mas um dos nossos primeiros bateristas, o lendário Done, de Barueri, uns dez anos mais velhos que eu, abriu meus ouvidos ao maravilhoso mundo do punk rock sueco com bandas como Asta Kask e o Sötlimpa que cantavam em sua língua natal. Foi um choque cultural grande. Pela primeira vez eu ouvia uma banda cantar punk rock sem ser em inglês ou português. A coisa era brutal. Melódico, mas agressivo. Nada parecido com o que eu estava acostumado a ouvir.

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Anos mais tarde o Done me presenteou com o Mini LP de 12 polegadas A Non Fitting Generation, do Sötlimpa. Lançado independentemente em 1984, depois de um compacto e duas fitas cassetes, o disco tem claras influencias dos mestres do punk sueco, Asta Kask. Aliás, juro que na faixa Stark, ouço o vocal Jesus falar Asta Kask. A banda é formada por meninos, moleques mesmo, mas não devem nada a nenhuma banda de marmanjo. O LP é bem raro e difícil de encontrar. Creio que nunca foi relançado nem em CD. Infelizmente o Sötlimpa acabou no mesmo ano que lançou o LP, mas deixou um belo registro em forma de vinil.

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FORGOTTEN REBELS “This Ain’t Hollywood…”

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FORGOTTEN REBELS This Ain’t Hollywood… LP

Data de lançamento: 14 de maio 1982 (Canadá)

Gravadora: Star Records (SR 002)

Track Listing:
A1. Hello Hello (I’m Back Again)
A2. Tell Me You Love Me
A3. This Ain’t Hollywood
A4. Don’t Hide Your Face
A5. Memory Lane
A6. Surfin’ On Heroin
B1. Rhona Barrett
B2. The Me Generation
B3. England Keep Yer Stars
B4. Eve Of Destruction
B5. Your Own Little World
B6. Save The Last Dance For Me
B7. It Won’t Be Long

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Para inaugurar em grande estilo a coluna Vinil da Semana, nada mais apropriado que o LP que mudou minha vida. É uma longa estória, mas interessante. Vamos lá!

Logo após a traumatizante perda para a Itália na Copa de 1982, a Marinha do Brasil relocou minha família do Planalto Paulista direto para Ann Arbor, Michigan, no extremo norte dos Estados Unidos. Lá, meu pai, então Capitão de Fragata, foi à loucura nas lojas de discos e acabou descobrindo o hardcore americano por meio de um programa da rádio universitária intitulado Hardcore Attack que ia ao ar nas madrugadas de sexta para sábado. Em um desses programas, Billboard, o DJ, tocou Surfin On Heroin três vezes seguidas. E meu pai testemunhou pela primeira vez o poder e a glória dos canadenses Forgotten Rebels. Foi combinado que nas férias seguintes, a família faria uma viagem de carro até Toronto, no Canadá e lá meu pai comprou o que ele achou dos rebeldes esquecidos.

O primeiro LP do Forgotten Rebels, In Love With The System, é punk rock até a medula, da capa, às letras, à gravação, tudo remete ao punk crú, de protesto. Já em seu segundo LP, “This Ain’t Hollywood…”,  gravado em 1981 e lançado no ano seguinte, eles caem mais para o lado rock do punk rock, tanto é que na capa de trás o nome inteiro do disco é revelado: …This is Rock n’ Roll. O disco já abre com um cover poderoso do ícone do glamrock Gary Glitter, Hello Hello e vai arrebentando tudo em seu caminho. Até a melancólica Don’t Hide Your Face é um puta som. O lado A termina da forma mais rock n’ roll possível, com a politicamente incorreta Surfin’ On Heroin (get a needle gonna stick it in, I’m surfin on heroin, I’m so drugged up I’m so fucked up, I’m surfin on heroin yeah!).

O lado B abre com a melhor música do disco, Rhona Barrett, passa por pérolas como England Keep Yer Stars (um hino anti estrelas do rock) e fecha com a música de amor It Won’t Be Long (It won’t be long until you see me again, just think about me when you fuck other men). Aliás, se você entende inglês, presta atenção nas letras, elas sempre foram uma parte importante do mito Forgotten Rebels.

A primeira prensagem do LP saiu com a banda posando na capa e na contracapa, num visual bem glam. A segunda prensagem saiu logo depois, com uma foto da banda mandando bronca ao vivo, é essa cópia que meu pai comprou em Toronto, e agora está muito bem guardada na minha prateleira.

FORGOTTEN

Em 1983-84 eu pirava em Iron Maiden, Twisted Sister e no disco Thriller do Michael Jackson. Meu pai achava aquilo meio esquisito, mas tudo bem, pelo menos o filho dele ouvia rock. Mas logo ele me deu uma fita K7 com as músicas do Forgotten Rebels e assim que eu ouvi eu soube que era aquilo que eu queria, músicas curtas e grossas, melódicas e cheias de energia, que faziam meu corpo magricelo de 10 anos pular pelo quarto enquanto minha boombox tocava as letras ácidas, ásperas, sarcásticas e críticas do Mickey de Sadist, vocalista dos rebeldes.

This Ain’t Hollywood nunca foi relançado em vinil, nem em CD. Uma jóia rara do punk rock canadense, e porque não, mundial? Uma obra prima do verdadeiro rock n’ roll, gravado com garra, tesão e com o botão do foda-se ligado no máximo.

O Forgotten Rebels continua na ativa até hoje e honra o nome, pois nunca ganhou seu merecido lugar no altar das grandes e influenciáveis bandas punks. Mas até hoje, trinta anos depois, continua sendo minha banda favorita e esse LP continua arrepiando os pelos do meu braço. O melhor disco da minha coleção, a trilha sonora da minha vida.

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LONGSHOT MUSIC

 

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A Longshot Music, sem sombra de dúvidas uma das gravadoras street punks mais prolíferas da atualidade, comemora seu vigésimo aniversário este ano. Criada no Canadá por Mike Josephson, o selo atualmente divide o quartel general com a Pirates Press Records na costa oeste dos Estados Unidos, na cidade de São Francisco. Parceria parece ser a palavra chave da Longshot, pois muitos de seus discos são lançados em cooperação com selos europeus. Mike frisa que isso ajuda a reduzir os custos finais e disponibiliza o disco na Europa e nos Estados Unidos por um preço decente. “Assim quem sai ganhando é o fã das bandas. Mas confesso que ainda penso no selo como um hobby porque é algo que adoro fazer. Já pensei em largar tudo várias vezes, mas aí ouço uma puta banda e saio da aposentadoria”, diz ele rindo. Mike aliás toca baixo nas bandas Sydney Ducks e Suede Razors (que acaba de lançar um single pela Pirates Press Records).

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A Longshot Music estreou com um tributo à lendária banda The Opressed chamado Urban Soldiers. “Pois é, eu honestamente pensei que iria lançar apenas um disco e se esse fosse o único disco do selo eu já estaria feliz, mas cada disco levava a outro e agora mais de quinze anos depois a Longshot já conta com mais de 150 discos em seu catálogo” diz Mike com um certo ar de orgulho.  Fã do formato sete polegadas (o famoso compacto), Mike tem várias destas pérolas em vinil no vasto catálogo do selo, como o lindo picture disc Walk Beside Us da NOi!SE, banda de Seattle que anda recrutando muitos admiradores. O vocalista Matt é soldado do exercito americano e a banda aproveita para gravar e excursionar quando ele não está em lugares exóticos como Coréia e Afeganistão. A NOi!SE faz um som street punk melódico e original cantado com a dose certa de raiva (e com um vocal bem característico) no dez polegadas This Is Who We Are e no excelente LP Pushing On, uma coletânea que inclui os dois discos previamente citados mais algumas faixas.

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Com uma Doc Martens bem lustrada (com bico de aço, claro!) fincada no hardcore e outra no Oi!, a Razors In The Night, da cidade de Boston, tem em seu disco Carry On, uma estreia respeitável. Um belo dez polegadas com capa gatefold e vinil colorido, caprichadíssimo.

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O 45 Adapters bebe de fontes como o Mod, o Pub Rock, o Oi!, o Glam e mistura tudo no EP Dress Well, Drink Heavily. O resultado é um soul punk que conquistou muitos fãs para esta banda de Nova Iorque, incluindo eu.  

Mais ao norte, nas ruas frias do Canadá, o street punk está firme e forte, como atestam as excelentes bandas The Crackdown, Knucklehead e Bishops Green. The Crackdown lembra muito Rancid e as seis faixas do Split LP com a banda glam punk alemã Hiroshima Mon Amour são matadoras.

Knucklehead no ótimo LP Hearts On Fire soa como um Bouncing Souls com uma pegada mais forte e agressiva. Um belo disco que me deixou com vontade de quero mais. Uma grata surpresa, pois não conhecia a banda.

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Bishops Green, que periga se tornar um dos ícones da cena street punk mundial, é liderada por Greg Huff, uma lenda viva do punk canadense. O Mini LP de estreia leva o nome da banda e já está na terceira prensagem (cada prensagem com vinis de cor diferente mais a versão picture disc) e eles acabam de lançar o LP Pressure que já está sendo considerado um clássico do estilo. Punk rock de rua melódico, ótimas letras cantadas com a característica e inconfundível voz do Mr. Huff. E um tal de Lars Frederiksen ainda dá uma palinha numa faixa. Altamente recomendado!

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Do outro lado do Oceano Pacífico, na Austrália, só bandas fodas. Days Gone By é o primeiro LP da Marching Orders e desde então esta excelente banda Oi! lançou mais dois compactos  e o LP Living Proof. Além da Marching Orders, o vocalista Al também empresta a voz para a banda Razorcut no 10 polegadas Gone Are Those Days, um puta disco Oi! que te dá vontade de sair quebrando tudo. Razorcut aliás, é minha banda favorita dessa nova safra australiana junto com Slick 46, um power trio street punk onde a baixista canta algumas músicas. O disco Hurry Up é destruidor, são nove faixas do mais puro Oi! old school e o vinil azul e amarelo é lindo demais. Outro belo trabalho do Slick 46 é o picture disc Young Love.

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Os meninos do Marching Orders não param. O guitarrista e o baixista também têm um projeto paralelo, a excelente Stranglehold, com duas meninas, uma na voz e outra nas baquetas.  O single Never Hold Me Back é uma boa dica assim como o 10 polegadas que carrega o nome da banda.

AUSTRALIA

Na Europa a cena só cresce e a Longshot registra tudo em vinil. Da República Tcheca, temos a banda skinhead Saints & Sinners com o compacto Our City. Do País Basco, a veterana banda punk Jonny Gerriwelt chega com o LP Living With Class.

Klasse Kriminale, embaixadores da cena italiana, lançaram o LP Oi! Una Storia recheado de hinos punks cantato in italiano. 

EUROPA

A Longshot também tem algumas coletâneas no formato sete polegadas que são bem interessantes. A Better Tomorrow mostra a nova geração do Oi! americano com NOi!SE, Razors In The Night, Broadsiders e Sydney Ducks.

Red White & Blue (Which Side Are You?) é um sete polegadas duplo com os californianos Old Firm Casuals (a banda Oi! do guitarrista do Rancid, Lars Frederiksen) e Harrington Saints em um vinil e os ingleses Argy Bargy e Booze & Glory no outro. Um disco bruto, desde a escolha das bandas (só pesos pesados) às opções de cor do vinil.

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Falando em Booze & Glory, a banda Oi! do momento, a Longshot lançou o LP Trouble Free e relançou o LP de estreia Always On The Wrong Side em picture disc. O meninos de Londres uniram forças com o conterrâneo Micky Fitz, vocalista do The Business e juntos gravaram um EP tributo ao time de futebol West Ham United (até nas cores do vinil).

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Outra banda punk inglesa é a Control, um híbrido de Oi! e GBH, com uma sonoridade bem britânica nos dois ótimos LPs Hooligan Rock n Roll e Punk Rock Ruined My Life.

CONTROLFINAL

Pois é, o punk rock arruinou minha vida também, afinal de contas, hoje eu poderia ser um político com um trabalho digno e honesto ao invés de cantar no Blind Pigs. Brincadeiras à parte é gratificante ver selos como a Longshot Music lançando discos de qualidade. “O crédito é das bandas, que são comprometidas a ensaiar, tocar ao vivo e gravar. Porque como você e eu sabemos muito bem Henrike, por também termos nossas próprias bandas, estar em uma boa banda punk rock requer muita dedicação e trabalho duro. E são justamente essas bandas que fazem a Longshot Music o que ela é hoje, um selo de respeito” enfatiza Mike com muita humildade. Pois é meu amigo, falou tudo. Parabéns ao selo e às bandas.

Você pode comprar os discos da Longshot Music diretamente pelo site da Pirates Press Records.ou procurar na loja virtual do selo brasileiro Hearts Bleed Blue pelo site www.hbbstore.com