HARRINGTON SAINTS

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Desde 2005, os americanos do Harrington Saints são um dos grandes representantes no estado da Califórnia no quesito street punk com um som direto e arrebatador. Com dois LPs e vários compactos em sua discografia, a banda acaba de lançar o sete polegadas ‘Upright Citizen’ pela Pirates Press Records. Com a palavra o vocalista Darrel Wojick e o guitarrista Deuce.

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A Pirates Press Records tem documentado a nova cena street punk de São Francisco e vocês parecem liderá-la. Como vocês se sentem em relação a isso?

Deuce: Pois é, apesar do foco principal da Pirates Press ser prensar vinil de alta qualidade para bandas, selos e gravadoras, eles se tornaram uma grande gravadora.

Darrel: Tivemos a sorte de ter começado a trabalhar com eles desde o começo do selo. Somos a banda ativa mais antiga da Pirates Press, fomos uma das primeiras bandas que eles assinaram. Eles são um grande selo, sempre estão lá para ajudar e estão sempre disponíveis. Eles só lançam produtos de qualidade superior e tratam as bandas muito bem.

Que outras bandas de são Francisco vocês recomendam?

Deuce: Não apenas de São Francisco, mas da Bay Area em geral temos Kicker, Custom Fit, Old Firm Casuals, Sydney Ducks. Let It Burn, Memphis Murder Men, HeWhoCannotBeNamed, Roadside Bombs, The Quitters e Troublemaker.

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O LP ‘Pride And Tradition’ foi produzido por Lars Frederiksen (guitarrista do Rancid). Como foi trabalhar com uma lenda? Como rolou?

Darrell: Ele sempre foi um dos meus produtores favoritos. A gente tava conversando depois de um show do Old Firm Casuals (banda Oi! do Lars) e embora eu não o conhecia muito bem, no momento eu meio que comentei que estávamos à procura de um produtor para o próximo álbum. O Lars ficou animado, e disse: “eu faço e ficaria honrado em fazê-lo”. Porra, nem acreditei!

Deuce: Ele fez a banda se esforçar e conseguiu tirar o melhor desempenho de nós, que é o que um grande produtor faz. Além disso, ele é um cara muito gente boa.

Muitas de suas músicas lidam com a realidade da classe trabalhadora. A banda é um trabalho de tempo integral ou vocês trampam com outras coisas?

Deuce: Todos nós trabalhamos com trampos que vão desde construção à bartending, vendas e TI.

Darrel: Acho que ‘working class’ não significa mais necessariamente você balançar um martelo. No mundo moderno se eu não tenho um salário entrando, como um trabalhador, não tenho apartamento, comida etc.

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Na estreia oficial do programa de rádio Semper Adversus, abrimos o programa com ‘Slogans On The Wall’ e fechamos com ‘Working Class Friday Night’. Me surpreendeu o feedback que recebi de pessoas sobre a banda. Se me surpreendeu, eu tenho certeza que deve surpreendê-los também ter uma galera aqui no Brasil que gosta da banda. 

Deuce: Que incrível! Com certeza! Valeu pelo apoio.

O que vocês conhecem da cena Street Punk brasileira?

Deuce: Não muito, mas parece ser muito boa cena e em crescimento.

Darrel: Sabemos que o CockSparrer tocou aí, pelo jeito deve estar indo bem.

O Harrington Saints participou do disco tributo ao Bruce Roehrs (figura chave da cena de são Francisco) junto com o Booze n Glory da Inglaterra. Fale um pouco sobre este disco.

Darrel: O Bruce queria que seus restos mortais ficassem na cidade que ele amava, São Francisco, especialmente em um famoso columbário muito bacana que tem aqui. O disco foi feito para ajudar a atender a essas despesas finais. Ele era um amigo, um dos primeiros e maiores defensores do Harrington Saints, então ficamos mais do que felizes em poder ajudar. Nós ainda sentimos muita falta dele.

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Vocês colecionam discos? Qual o orgulho da coleção e o que vocês compraram recentemente?

Deuce: Nós amamos vinil, até demais. A gente sempre compra, mas em termos de coleção, nenhum de nós realmente tem o espaço para armazenar muitos LPs. Muito menos temos dinheiro para gastar tanto quanto gostaríamos em vinil. O último vinil que peguei foi o split do Kicker com o Submachine em sete polegadas.

Darrel: Minha última aquisição foi o LP ‘Pressure’ dos canadenses Bishops Green.

Já não era hora de um novo LP do Harrington Saints? 

Darrel: Como você sabe, nosso novo single acabou de sair! E até que está vendendo muito bem. No momento, estamos compondo para algo mais substancial do que um single. Talvez no início do ano que vem lançaremos algo.

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Darrel, você também é vocalista da Suede Razors que acabou de lançar o terceiro EP, certo? Você tinha uma banda nos anos 90, como era a cena local? 

Darrel: Sim, a Suede Razors é um projeto paralelo divertido com bons amigos. É muito diferente do Harrington Saints e eu gosto de ter um papel diferente na banda. Mas o Harrington Saints é o meu foco principal. Eu tinha uma banda chamada The Burdens que lançou um disco chamado ‘Working Class Joke’ pela gravadora GMM, ainda acho esse disco um belo registro. Bem, eu estava vivendo muito próximo à cena de São Francisco na época e foi muito divertido. Havia muitos shows, mas também muitas brigas. Acho que as pessoas olham pra trás e lembram-se de ser melhor do que realmente era. Eu vivia uma hora de distância, naquela época eu achava que era uma cena um pouco panelinha na minha opinião. Mas as casas de show eram boas, assim como praticamente todas as bandas! No entanto, acho que as bandas e gravadoras que nós temos hoje são muito superiores!

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Poderia eu, um punk rocker magro, sonhar em me tornar um Harrington Saint? Hahahahaha! 

Deuce e Darrel: Claro, mas você não ficaria magro por muito tempo! Hahahaha! 

Beleza então! Agum recado final para os fãs brasileiros?

Darrel: Valeu pela entrevista Henrike e pelo espaço no programa Semper Adversus! Um grande abraço para os punks e skins aí do Brasil, obrigado pelo apoio!