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HARRINGTON SAINTS

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Desde 2005, os americanos do Harrington Saints são um dos grandes representantes no estado da Califórnia no quesito street punk com um som direto e arrebatador. Com dois LPs e vários compactos em sua discografia, a banda acaba de lançar o sete polegadas ‘Upright Citizen’ pela Pirates Press Records. Com a palavra o vocalista Darrel Wojick e o guitarrista Deuce.

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A Pirates Press Records tem documentado a nova cena street punk de São Francisco e vocês parecem liderá-la. Como vocês se sentem em relação a isso?

Deuce: Pois é, apesar do foco principal da Pirates Press ser prensar vinil de alta qualidade para bandas, selos e gravadoras, eles se tornaram uma grande gravadora.

Darrel: Tivemos a sorte de ter começado a trabalhar com eles desde o começo do selo. Somos a banda ativa mais antiga da Pirates Press, fomos uma das primeiras bandas que eles assinaram. Eles são um grande selo, sempre estão lá para ajudar e estão sempre disponíveis. Eles só lançam produtos de qualidade superior e tratam as bandas muito bem.

Que outras bandas de são Francisco vocês recomendam?

Deuce: Não apenas de São Francisco, mas da Bay Area em geral temos Kicker, Custom Fit, Old Firm Casuals, Sydney Ducks. Let It Burn, Memphis Murder Men, HeWhoCannotBeNamed, Roadside Bombs, The Quitters e Troublemaker.

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O LP ‘Pride And Tradition’ foi produzido por Lars Frederiksen (guitarrista do Rancid). Como foi trabalhar com uma lenda? Como rolou?

Darrell: Ele sempre foi um dos meus produtores favoritos. A gente tava conversando depois de um show do Old Firm Casuals (banda Oi! do Lars) e embora eu não o conhecia muito bem, no momento eu meio que comentei que estávamos à procura de um produtor para o próximo álbum. O Lars ficou animado, e disse: “eu faço e ficaria honrado em fazê-lo”. Porra, nem acreditei!

Deuce: Ele fez a banda se esforçar e conseguiu tirar o melhor desempenho de nós, que é o que um grande produtor faz. Além disso, ele é um cara muito gente boa.

Muitas de suas músicas lidam com a realidade da classe trabalhadora. A banda é um trabalho de tempo integral ou vocês trampam com outras coisas?

Deuce: Todos nós trabalhamos com trampos que vão desde construção à bartending, vendas e TI.

Darrel: Acho que ‘working class’ não significa mais necessariamente você balançar um martelo. No mundo moderno se eu não tenho um salário entrando, como um trabalhador, não tenho apartamento, comida etc.

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Na estreia oficial do programa de rádio Semper Adversus, abrimos o programa com ‘Slogans On The Wall’ e fechamos com ‘Working Class Friday Night’. Me surpreendeu o feedback que recebi de pessoas sobre a banda. Se me surpreendeu, eu tenho certeza que deve surpreendê-los também ter uma galera aqui no Brasil que gosta da banda. 

Deuce: Que incrível! Com certeza! Valeu pelo apoio.

O que vocês conhecem da cena Street Punk brasileira?

Deuce: Não muito, mas parece ser muito boa cena e em crescimento.

Darrel: Sabemos que o CockSparrer tocou aí, pelo jeito deve estar indo bem.

O Harrington Saints participou do disco tributo ao Bruce Roehrs (figura chave da cena de são Francisco) junto com o Booze n Glory da Inglaterra. Fale um pouco sobre este disco.

Darrel: O Bruce queria que seus restos mortais ficassem na cidade que ele amava, São Francisco, especialmente em um famoso columbário muito bacana que tem aqui. O disco foi feito para ajudar a atender a essas despesas finais. Ele era um amigo, um dos primeiros e maiores defensores do Harrington Saints, então ficamos mais do que felizes em poder ajudar. Nós ainda sentimos muita falta dele.

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Vocês colecionam discos? Qual o orgulho da coleção e o que vocês compraram recentemente?

Deuce: Nós amamos vinil, até demais. A gente sempre compra, mas em termos de coleção, nenhum de nós realmente tem o espaço para armazenar muitos LPs. Muito menos temos dinheiro para gastar tanto quanto gostaríamos em vinil. O último vinil que peguei foi o split do Kicker com o Submachine em sete polegadas.

Darrel: Minha última aquisição foi o LP ‘Pressure’ dos canadenses Bishops Green.

Já não era hora de um novo LP do Harrington Saints? 

Darrel: Como você sabe, nosso novo single acabou de sair! E até que está vendendo muito bem. No momento, estamos compondo para algo mais substancial do que um single. Talvez no início do ano que vem lançaremos algo.

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Darrel, você também é vocalista da Suede Razors que acabou de lançar o terceiro EP, certo? Você tinha uma banda nos anos 90, como era a cena local? 

Darrel: Sim, a Suede Razors é um projeto paralelo divertido com bons amigos. É muito diferente do Harrington Saints e eu gosto de ter um papel diferente na banda. Mas o Harrington Saints é o meu foco principal. Eu tinha uma banda chamada The Burdens que lançou um disco chamado ‘Working Class Joke’ pela gravadora GMM, ainda acho esse disco um belo registro. Bem, eu estava vivendo muito próximo à cena de São Francisco na época e foi muito divertido. Havia muitos shows, mas também muitas brigas. Acho que as pessoas olham pra trás e lembram-se de ser melhor do que realmente era. Eu vivia uma hora de distância, naquela época eu achava que era uma cena um pouco panelinha na minha opinião. Mas as casas de show eram boas, assim como praticamente todas as bandas! No entanto, acho que as bandas e gravadoras que nós temos hoje são muito superiores!

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Poderia eu, um punk rocker magro, sonhar em me tornar um Harrington Saint? Hahahahaha! 

Deuce e Darrel: Claro, mas você não ficaria magro por muito tempo! Hahahaha! 

Beleza então! Agum recado final para os fãs brasileiros?

Darrel: Valeu pela entrevista Henrike e pelo espaço no programa Semper Adversus! Um grande abraço para os punks e skins aí do Brasil, obrigado pelo apoio!

 

NOi!SE

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Uma banda da cena street punk americana que anda fazendo barulho (desculpe o trocadilho), é a Noi!se. Formada em 2009 na cidade de Seattle, a Noi!se já conquistou o respeito de bandas veteranas como o Rancid e aos poucos vem se tornando conhecida de quem gosta de um street punk de qualidade aqui no Brasil. Prestes a lançar seu novo disco, The Scars We Hide, o baixista e vocalista Matt Henson trocou uma ideia comigo sobre as Forças Armadas Americanas, futebol, Oi! e Wu Tang Clan .

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Noi!se foi um dos nomes que mais aparecia quando eu perguntava para os leitores do Semper Adversus quais bandas eles gostariam de ver entrevistadas aqui.  É uma surpresa para você que sua música atinge pessoas no Brasil?

Matt: Sempre me surpreendo que a nossa música atinja pessoas de outros países. O apoio que temos recebido ao longo dos últimos dois anos tem sido realmente uma experiência inspiradora.

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Você é um soldado do Exército Americano e foi mobilizado para o Afeganistão e outros lugares. Como isso afeta o que você faz na banda? Para alguns punks de mente estreita aqui no Brasil, parece estranho ou até mesmo uma contradição tocar em uma banda de punk rock e estar nas Forças Armadas. Mas vejo que isso parece ser uma grande parte de quem você é: soldado, pai e punk.

Matt: É muito difícil de conciliar família, Exército e banda, mas eu acho que a parte mais desafiadora é fazer tudo de forma eficaz. Eu realmente não acredito em fazer as coisas meia boca. Minha família sempre terá prioridade sobre todo o resto. Cara, a perspectiva que as pessoas têm dos militares é relativa, depende da sua experiência pessoal e, acima de tudo, o país em que vivem. Não sinto a necessidade de ter que defender o meu trabalho para as pessoas que têm uma percepção negativa das Forças Armadas. Só dou satisfação para a minha família e amigos próximos, a lista acaba aí.

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Como surgiu a idéia da coletânea United We Stand que você montou para apoiar punks e skinheads que estão nas Forças Armadas Americanas?

Matt: Nosso objetivo com a United We Stand era fazer duas coisas: arrecadar dinheiro para veteranos feridos e destacar a cena street punk/Oi! americana. Achei que uma coletânea iria atingir esses objetivos perfeitamente. A idéia veio enquanto eu estava no Afeganistão. Pedi uma ajuda para os meus bons amigos, Mick da Durty Mick Records e Lars Frederiksen do Rancid para ajudar, e eles fizeram das tripas coração para a coletânea sair. Estou muito orgulhoso dela. E mais orgulhoso ainda em ter esses dois caras como amigos.

A primeira vez que ouvi Noi!se foi através da música Idle Action que me surpreendeu bastante, por causa da sua energia e originalidade. Assim que os primeiros acordes de uma música da Noi!se começam você já sabe que se trata de uma música da Noi!se. Quais são as suas influências e o que você gosta de ouvir que faz sua banda soar tão original?

Matt: Nossas influências são muito variadas. Pessoalmente, eu escuto de tudo, Oi!,  punk rock, hardcore, Reggae, Hip Hop, soul, música clássica e por aí vai. Eu acho que é exatamente isso que marca nosso som, o fato de que as músicas que escrevemos vêm de tudo que é lugar. O que é realmente legal sobre estar na banda é ver as músicas que escrevo evoluírem, tipo, levar elas para o resto da banda e ver a banda transformar essas músicas em uma “música da Noi!se”. É divertido pra caralho.

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Todos seus discos sãos lançados em edição limitada e em vinil colorido. Você é um colecionador de discos? O que você coleciona? Qual é o orgulho da sua coleção?

Matt: Bom, definitivamente sou um colecionador de vinil, mas quando meu filho nasceu eu parei de comprar tantos discos…… junto com um monte de outras coisas, hahaha! Acho que o meu disco favorito é a coletânea 1977 da Stiff Records. Como eu tenho a concentração de um mosquito, eu sempre amei coletâneas e essa aí é simplesmente incrível.

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Qual foi o último vinil que você comprou?

Matt: Wu Tang Clan Enter The 36 Chambers. Foi um presente de aniversário que eu dei para o nosso baterista, Kenny. E ganhei o LP duplo deles de aniversário no início deste mês.

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Eu li em algum lugar que você é fã de futebol, apesar de o futebol não ser o esporte mais popular nos EUA. Para que time você torce? Acompanhou a Copa do Mundo?

Matt: Seattle Sounders !!!!! Sim, eu assisti a Copa do Mundo. Tenho certeza de que você estava assistindo também!

Pois é cara, prefiro não comentar sobre isso, hahaha! Vamos em frente, qual banda você dividiu o palco n a sua última turnê que realmente te impressionou?

Matt: Bishops Green, A Global Threat, Old Firm Casuals, Fear City, Hard Evidence, Assault and Battery….. temos muita sorte de tocar com algumas bandas absolutamente incríveis.

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Você tinha alguma outra banda antes da Noi!se?

Matt: Eu tocava em uma banda chamada Aires and Graces. Gravamos dois 7 polegadas um tempo atrás. Nada digno de nota.

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Como pintou a ideia do split com o Street Dogs?

Matt: O split com o Street Dogs foi um sonho que se tornou realidade. Eu descobri que os caras do Street Dogs realmente gostavam do nosso som uns dois anos atrás, o que pra mim foi incrível porque sou um grande fã. Comecei a conversar com Johnny Rioux, guitarrista do SD e ainda tive a honra do projeto solo dele, CowbOi! abrir para nós em Houston. Um dia, do nada, meio que de brincadeira, eu mandei uma mensagem para ele perguntando se o Street Dogs toparia fazer um split com a gente. Pra falar a real, até ri após depois de ter enviado a mensagem. Uns 30 minutos depois o cara respondeu “sim”. Sabíamos que se fossemos dividir um disco com o Street Dogs a gente teria que mandar muito bem. Estou muito orgulhoso desse disco.

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Quando podemos esperar um novo disco da Noi!se?

Matt: As pré-vendas para o LP The Scars We Hide já estão sendo feitas pela loja virtual do selo Durty Mick nos Estados Unidos e pela Randale na Europa. Estamos gravando o próximo álbum agora e devemos lança-lo no começo de 2015!

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Valeu Matt, obrigado pelo seu tempo, boa sorte e esperamos um dia ver a Noi!se tocar aqui no Brasil!

Matt: Muito obrigado pela entrevista Henrike e obrigado a todos aí no Brasil, que nos fazem sentir honrados por ouvirem a nossa música! Esperamos tocar aí algum dia!

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RAT CITY RIOT

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Rat City Riot, o orgulho street punk de San Diego. Na ativa desde 2003, Noah e seus comparsas já passaram por selos independentes de renome, lançaram quatro LPs, alguns EPs e fazem da estrada sua segunda casa. Conheci o Noah em 2005 quando morei em San Diego. Cara gente fina, de fala mansa, leão de chácara, apaixonado por hot rods e bulldogs franceses. Nos tornamos amigos e tive o prazer de vê-lo novamente este ano, quando estive na Califórnia durante minha lua de mel. Se você nunca ouviu Rat City Riot, não sabe o que está perdendo. Uma mistura volátil de Oi!, hardcore e rock-n- roll fazem da banda uma das minhas favoritas da cena Oi! americana. Com a palavra, o fundador e vocalista, Noah Bricker.

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Vi o Rat City Riot pela primeira vez ao vivo na lendária Zombie Lounge, a extinta casa de shows em San Diego, onde você trampava como segurança. Vocês tinham acabado de lançar o CD Dirty Rotten Games pelo selo local Taang! Records. Você estava bem animado naquela época, mas parece que as coisas não deram muito certo com a Taang! né?

Noah: A Taang! foi para a Rat City Riot, assim como foi para várias bandas, um degrau para selos maiores e que ajudassem mais a banda. No começo era ótimo, pois conseguíamos vários shows por estar na Taang!, afinal, o selo tem um nome e certo prestígio. Eu ligava para marcar shows e o pessoal perguntava “Taang? Nossa, eles ainda são um selo ativo?” ou “Porra, eu achava que só prensavam discos antigos do The Business”, hahahahahaha! Enfim, o dono, Curtis, é um cara legal, um belo babaca às vezes, mas porra, a gente nunca esteve em um nível de banda onde ele pudesse foder a Rat City Riot monetariamente. Ninguém da banda ganha dinheiro tocando. Ah, e quer saber? Eu ainda recebo pelo correio cartas da Taang falando que a banda ainda deve ao selo uns mil dólares. Mas a cada carta esse número cai um pouquinho. Quem sabe um dia ele ainda vai mandar cheques pra gente. Mas olha, depois de treze anos com a Rat City Riot, não estou nem aí.

Minha maior reclamação que tenho do selo foi quando ele se recusou a mandar CDs para a gente vender na nossa primeira turnê americana com o The Business. Eu ligava pro cara e ele falava “CDs devem estar nas lojas, bandas em turnê não precisam vender CDs”. Bom, se ele tivesse enviado CDs para a gente vender a gente talvez já tivesse pagado o que devemos a ele. E qualquer banda que sai em turnê sabe que vendas de CDs e camisetas equivale à gasolina no tanque e comida na barriga, além de dinheiro para pagar o que devemos ao selo.

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O primeiro album Dirty Rotten Games só foi lançado em CD, existem planos para lança-lo em vinil?

Noah: Ouvi falar de uma “box set” da Taang! que talvez inclua esse disco. Ou talvez a Taang! irá lança-lo em LP quando ela ver que consegue tirar um lucro disso. Mas eu tenho uma “test pressing” (prensagem teste que a fabrica de vinil faz para mandar para a banda. Geralmente fazem apenas umas cinco cópias). E vi também uma capa do LP na loja da Taang! uns anos atrás, mas nunca peguei uma. Enfim, acredito que não temos o direito de prensar esse disco em LP por nós mesmos, então está nas mãos da Taang!. Aliás, nós regravamos a maioria das músicas daquele disco para quem sabe um dia lançar uma versão mais “suja” em LP.

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Depois da Taang! A banda migrou para a People Like You que lançou o LP Load Up, depois veio LP Better Than Nothing  pela I Hate People e por ultimo o LP Highway Hymns lançado pela Knockout. Três selos alemães. Mera coincidência?

Noah: Bom, é uma longa estória, vou tentar resumir. O cara que começou o selo People Like You, o Andre, foi espirrado do selo por alguma briga interna. Aí o selo “demitiu” todas as bandas que não eram lucrativas. O Andre então montou a I Hate People.  Quando decidimos lançar o LP Highway Hymns o cara estava passando por problemas financeiros. Mandamos a master para ele e o cara sumiu! Resolvemos tentar nossa sorte com a Knockout. O Kevin, nosso guitarra base, conhecia o dono, o Mosh, de quando ele tocava no Bonecrusher. Bom, o Mosh lançou o LP. Estamos felizes no selo. Mas em termos de apoio para a banda, é meio nulo, mas a gente sempre foi “D.I.Y.” (Do It Yourself) de coração, então funciona para gente.

Load Up (Encha o Tanque) e Highway Hymns (Hinos da Estrada), dois títulos de discos que remetem à estrada assim como a música Open Road. Turnês constantes parecem definir bem o espírito da banda, certo?

Noah: Com certeza! Eu queria era estar mais em turnê. Antes eu ficava seis meses em casa, aí eram dois ou três meses na estrada. As vezes até seis meses quando pegávamos pesado, depois seis meses em casa se recuperando, compondo, gravando. Esse ano tem sido onze meses de trabalho. E três semanas e meio na estrada, horrível isso. Terrível. Mas eu e os rapazes temos contas para pagar e nosso trampo. Mas deixo meu trampo de leão de chácara sempre flexível para a banda poder fazer as turnês.

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No LP Highway Hymns (meu favorito), vocês tocam uma música chamada I Feel Like Hank Williams Tonight, um cover do artista country Jerry Jeff  Walker. No caminho de San Diego para Los Angeles, eu e minha esposa fomos ouvindo o CD no carro e aí apareceu essa música, totalmente atípica, onde você canta sem forçar a voz. Ficamos surpresos, pois ela foge totalmente do estilo da banda, mas funciona, é uma música linda. Acabamos ouvindo ela no carro várias vezes seguidas, foi a trilha sonora da nossa viagem. Você pensa em gravar mais músicas neste estilo?

Noah: Pode crer, Jerry Jeff Walker é foda! O nosso guitarrista Andy faz vários covers dele no seu projeto solo acústico Smokeboss. Tocamos ela no ensaio e eu cantei ela como eu sempre canto todas as outras músicas. O Andy pediu para eu pegar mais leve no vocal, para mim não foi tão natural, mas me diverti gravando ela para o disco. E com certeza, uma música country inesperada em um disco é sempre bacana.

Este ano tive a oportunidade de ver a RCR ao vivo novamente, dividindo o palco com a banda Hudson Falcons em San Diego. É outra banda, diferente da que eu vi em 2005. Membros diferentes, mais redonda e muito mais profissional. Me fale um pouco sobre essa rotatividade de músicos, parece que a cada disco temos dois ou mais novos integrantes.

Noah: Cara, a Rat City Riot parecia uma verdadeira agência de turismo por um tempo. As pessoas sabiam que a banda fazia turnês na Europa todo ano e entravam na banda para viajar. Bom, aí quando tínhamos que trabalhar como banda, e já não era mais tão glamoroso e comfortável e eles não conseguiam fazer todas as coisinhas de turista que eles queriam fazer, eles pulavam fora depois da turnê. Uma porta giratória de mebmros é bem comum. Eu sou o ultimo membro original, tipo o Highlander! “Só pode haver um!” hahahahahhaha! Bom, voltando às turnês, eu sempre falava para eles que a cada turnê seria mais fácil, seríamos tratados melhor e que agendar os shows ficaria mais fácil. Nas últimas três turnês europeias fizemos uma cacetada de coisa legal. Finalmente conhecia a igreja feita de ossos perto de Praga. Puta lugar louco!

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Quando visitei sua casa este ano, você me mostrou um hot rod desmontado na garagem. Hot rods são seu hobby?

Noah: Eu tento fazer disso meu hobby, carros e motos. Mas para falar a verdade acabo pegando tantos projetos que já fazem alguns anos que não termino nenhum. Tem sempre uma turnê ou uma van para ser usada na turnê que consome toda minha grana. Então meus projetos de hot rod andam bem devagar. Mas eu gosto pra caralho. Para mim é uma terapia, algo muito zen trabalhar nos projetos ao invés de ver os projetos prontos.

Todos meus amigos skinheads americanos possuem um pequeno arsenal em casa. Explique para nós, brasileiros, essa fascinação americana por armas de fogo. Você é um membro da NRA (National Rifle Association) correto?

Noah: Hahaha. Verdade, tenho algumas armas em casa. Sim, sou membro da NRA. A segunda emenda da constituição americana que nos dá o direito de ter armas é uma grande parte da história americana e do porque os EUA foram moldados e formados da maneira que era para ser. Recentemente meu direitos como um americano tem estado sob ataque e a NRA é uma força que luta contra isso. Então apoio a NRA como posso, por meio de doações.

Noah e eu na sua casa em San Diego. Junho 2014. Foto: Paola Zambianchi

Além de conhecer sua coleção de armas, também tive o prazer de fuçar na sua coleção de discos. O que você coleciona? Qual a joia da sua coleção?

Noah: Difícil escolher. Talvez meus favoritos seriam minha coleção de sete polegadas, incluindo os primeiros do Madball, Judge e Gorilla Biscuits, todos são primeira prensagem. Falando em doze polegadas talvez algumas prensagens teste que tenho meu LP do Reagan Youth com o encarte que abre para virar um pôster, prensagem original.

Qual foi o último vinil que você adquiriu?

Noah: Na última turnê peguei os discos da Victory e da Assault And Battery.

Nesta sua última turnê americana, a Sons Of The Republic Tour, qual foi a banda que você tocou junto que mais te impressionou?

Noah: Victory da cidade de Minneapolis foi foda. São uma banda nova da gravadora Oi! The Boat. Skinhead Oi! Direto com uma grande energia. Adoro os caras.

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Vocês estarão presentes no LP tributo ao Rancid que o Lars Frederiksen está montando. Com que música? Como surgiu o convite?

Noah: Gravamos Lock, Step and Gone do LP And Out Come The Wolves. O Lars é um bom amigo meu. Mostramos a gravação pra ele e ele curtiu.

Bom Noah, valeu pela atenção, espero vê-lo novamente em breve. Grande abraço!

Noah: Espero ver você no Brasil. Vamos armar alguma coisa! Preciso divulgar a banda aí, pegar uns caras emprestados para fazer uma turnê brasileira, mas eu topo! Valeu pela entrevista Henrike.

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EVIL CONDUCT

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Quem me conhece ou me segue no facebook sabe que Evil Conduct é minha banda Oi! favorita. Criada na Holanda em 1984, o trio era originalmente formado por Han na guitarra e voz, Ray na bateria e Frans no baixo. Essa formação gravou dois singles e os clássicos LPs Sorry…No! de 2000 e Eye For An Eye de 2002, ambos já fora de catálogo mas relançados em vinil picture disc em 2009 pela Knock Out Records. Em 2005, com a saída de Frans, a banda recrutou o então garoto Joost para segurar bronca no baixo e é com essa formação que a banda resiste até hoje tendo lançado mais três LPs: King Of Kings (2007), Rule O.K. (2010) e Working Class Anthems (2012) além de alguns EPs e splits com outras bandas. É uma honra ter o Evil Conduct inaugurando a seção de entrevistas no site Semper Adversus. Senhoras e senhores, punks e skins, hooligans e rude boys, com vocês Han e Jools num bate papo sobre discos, música e a história dessa banda que já gravou seu nome no Hall Of Fame do punk rock!

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O Evil Conduct está sempre lançando discos colecionáveis, edições limitadas em vinil colorido e acaba de lançar um box set incrível com oito discos de sete polegadas (16 Oi! Scorchers! Randale Records). Vocês colecionam discos? 

Joost: Eu não me considero um colecionador de discos, mas eu compro um monte de discos e CDs para apoiar as bandas que eu gosto e também porque não gosto de fazer o download da música e ouvi-la através de um computador ou Spotify. Na minha opinião Spotify é uma merda, porque você pode ouvir tanta música que nada mais é especial e além disso alguns discos precisam ser tocados algumas vezes mais para você perceber o quão bom eles realmente são.

Qual é o tesouro da sua coleção de discos?

Joost: Prince Buster “King of Ska”. É um CD, mas estou muito feliz com ele. Tem ótimas músicas. Vi Prince Buster ao vivo na Bélgica e foi fantástico!

Qual é o seu disco punk favorito? E o favorito sem ser punk rock?

Joost: É muito difícil dizer. Eu gosto de um monte de discos e bandas. Claro que todos os clássicos como CockSparrer, The Ramones, Sham 69, The Business e assim por diante. Mas eu também gosto muito dos novos álbuns do Booze & Glory, Lion’s Law e Bishops Green. Também sou um grande fã da banda Gimp Fist.

O melhor álbum sem ser punk rock também é difícil. Eu ouço um monte de reggae e ska, mas também Johnny Cash, The Pogues, heavy metal tipo Iron Maiden, AC/DC e Motorhead. Ouço até Roy Orbison. Eu também gosto de música alemã “Schlager” especialmente quando estou bêbado!

Han: Bom, minha banda punk favoria seria o Last Resort, qualquer disco deles. A minha favorita sem ser punk rock, com certeza é o The Pogues.

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Han, o Evil Conduct acabou em 1988 e uma década depois voltou. O que você fez nesses dez anos?

Han: Sim, a banda deu uma pausa por dez anos. Eu me dediquei à arte de tatuar. Depois de um tempo muitas pessoas ficavam insistindo para a banda voltar e a demanda era tão alta que resolvemos voltar a tocar. Tem dado certo até agora!

Como vocês começaram a se envolver com punk rock?

Han: Bom, a razão por eu ter virado skinhead foi a era 2 Tone, lá pelos anos 80. Depois fiquei interessado pelo Oi! E pelo visto nunca irei mudar!

Joost: Quando eu era um moleque de 10 ou 11 anos de idade comecei a ouvir Iron Maiden e AC/DC. Ainda gosto muito dessas bandas. Aos 14/15 anos eu comecei a ouvir hardcore. Existia uma grande cena underground no sul da Holanda com bandas como Backfire, Right Direction, Tech 9, Violation Of Trust e muitas outras.

Quando eu tinha 16 anos, eu e meu melhor amigo fomos a um show da banda One Night Stand (que era um projeto do vocalista da Right Direction) a gente estava muito a fim de ver essa banda. Uma tal de The Business também estava escalada para tocar neste show e nós pensamos que eles eram uma banda pequena que iria tocar mais cedo porque nós nunca tínhamos ouvido falar deles. Isso foi por volta de 1999/2000 quando a cena Oi! estava praticamente morta na Holanda e a gente nem fazia idéia do que era esse tal de Oi!. Pois bem, no dia seguinte corremos para a loja de disco para encomendar os CDs do The Business! E assim começamos a ouvir Oi!. Comprávamos todos os álbuns clássicos do gênero e um belo dia ficamos sabendo que havia uma banda Oi! chamada Evil Conduct que era da nossa cidade. Da nossa cidade! Não era possível, uma banda local! Logo comecei a perguntar às pessoas onde eu podia conseguir os discos dessa banda. Vimos um flyer do Evil Conduct e resolvemos ir no show. Nesse dia, Evil Conduct se tornou minha banda favorita. Comprei a camiseta na gig (eles só tinham um único modelo na época) e usava ela uma vez por semana. Eu escutava o LP “Sorry No” quase todos os dias quando eu chegava em casa da escola. Fui também na festa de lançamento do disco “Eye For An Eye” e toquei tanto este CD que a minha primeira cópia nem funciona mais. Hoje em dia eu tenho o álbum em LP e CD, claro! Hahaha! Mas nem ouço mais esses discos porque hoje em dia toco as músicas em todos os ensaios! Acho que essa é a única coisa negativa sobre eu ter entrado no Evil Conduct, não colocar mais os discos para ouvir.

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“A Way Of Life”, primeiro single. 1990. Mad Butcher Records. Raridade!

Vocês tiveram outras bandas antes do Evil Conduct? Se sim, algo foi gravado e lançado?

Joost: Com 14 anos comecei a tocar baixo. Eu tocava com alguns amigos em bandas diferentes, mas nenhuma dessas bandas nunca nem tocou ao vivo.

Han: Sim, de 1983 à 1985 eu e o Ray tocamos na nossa primeira banda chamada STRESS. Era uma banda punk Oi! Mas nada foi gravado. Era eu, o Ray mais dois guitarristas, mas naquela época eu só cantava.  Quando os dois guitarristas saíram, continuamos com um novo nome, Evil Conduct e além de cantar comecei a tocar guitarra.

Han, existe alguma gravação inédita do Evil Conduct que ainda não foi lançada?

Han:Não, não temos nada inédito. Tudo que gravamos foi lançado.

Joost, como você entrou para o Evil Conduct? Houve um teste? Você é obviamente mais jovem do que Han e Ray, você acha que era necessário sangue novo na banda quando você entrou?  

Joost: Como eu já disse, eu era um grande fã do Evil Conduct e eu e meus amigos tentávamos ir em todos os shows. Eles não tocavam muito naquela época, mas eu acho que nós os víamos umas quatro ou cinco vezes por ano. Depois de um tempo fomos para o estúdio de tatuagem do Han, o King Of Kings para sermos tatuados pelo vocalista do Evil Conduct. Minha primeira tatuagem foi uma grande águia no peito que tem um escudo escrito Oi! dentro dele. Naquela época éramos um grupo de dez caras que iam em tudo que era show de hardcore e Oi!. Todos eles têm pelo menos uma tatuagem do Han. Claro que hoje eu que tenho mais! Hahaha!

Depois de um tempo, alguns de nós nos tornamos amigos do Han e do Ray porque a gente sempre se trombava em shows do Evil Conduct, em shows de outras bandas e no estúdio de tatuagem do Han.

Em novembro de 2005 eu fui a um show do Mad Sin. Han e Ray também estavam neste show, me falaram que seu baixista tinha deixado a banda e me perguntaram se eu queria entrar pro Evil Conduct. Pensei que estava sonhando … Porra, antes do Evil Conduct eu só tinha tocado com alguns amigos em um estúdio de ensaio. Eu nunca tinha subido em um palco e muito menos tocado ao vivo.

Mas quando eu comecei a ensaiar com o Evil Conduct  tudo correu muito rápido, porque eu já sabia tocar todas as músicas.

Umas sete semanas depois de ter entrado na banda toquei o primeiro show com eles. Poucas semanas depois eu já estava em uma mini turnê com 4 Promille, Hard Skin e The Traditionals em quatro cidades alemãs. O show em Leipzig foi para uma multidão de 700 ou 800 pessoas. Era incrível como as coisas tinham mudado na minha vida, em tão poucos meses!

Não sei se era necessário sangue novo no Evil Conduct, mas depois que entrei na banda começamos a tocar com muito mais frequência ao vivo do que antes. Novembro de 2005 parece até que foi ontem, mas já gravei três álbuns e o quarto está a caminho.

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EPs e singles.

Falando em álbuns, qual foi o último disco que você comprou?

Joost: O último LP que eu comprei foi o novo disco do The Trojans. Tenho comprado muitos EPs recentemente, tipo o split 10″ Noi!se/Streetdogs, o 7″do Hawkins Thugs, da Rude Pride, o novo 7″ do The Business e algumas outras coisas.

Joost, você sempre aparece nas fotos com camisetas de bandas, como Gimp Fist, Lion’s Law e Blind Pigs! Que bandas você tem escutado ultimamente?

Joost: Hawkins Thugs, Knock Out (uma nova banda de Madrid), Rude Pride (também de Madrid) e eu realmente gosto muito da Shock Waves. É meio engraçado que todas essas bandas são de Espanha e do País Basco. Parece que a cena está ficando cada vez maior por lá. Nós gostamos de tocar na Espanha, Catalunha ou País Basco. Há uma grande hospitalidade e vibe por lá. Talvez mais ou menos a mesma vibe como seria no Brasil? Claro que também nos divertimos em todos os outros shows, mas shows na Espanha, Catalunha e País Basco são sempre especiais.

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Split singles e a caixa “16 Oi! Scorchers!”

Sabemos que Han tem seu estúdio de tatuagem, o King Of Kings. Mas e você Joost, o que você faz quando não está em turnê com o Evil Conduct? 

Joost: Eu tenho um trabalho de escritório em Roermond (a cidade onde eu vivo). Não é nada especial, mas Evil Conduct  é o meu interesse número um. Não tem como ganhar dinheiro tocando Oi!. Mas na real, isso não importa, porque os shows se tornam mais especiais quando não temos que tocar três ou quatro vezes por semana, mas apenas duas vezes ao mês.

Meus hobbies são ir à shows Oi!, punk, ska e de reggae. Beber com os amigos e viajar com a minha namorada para cidades como Londres, Roma, Varsóvia, Berlim, Veneza, etc. Ela é uma skingirl, então quando temos a oportunidade também vamos a shows locais quando estamos em uma viagem curta.

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Os LPs

Han, depois de lançar os primeiros dois LPs pela Knockout Records, o LP Working Class Anthems foi lançado pela Randale. Porque houve essa mudança?

Han: A Knock Out fez muito pela banda no começo. Nós já tínhamos ótimos contatos com a Randale e a Knockout num certo ponto começou a não ser um selo tão ativo quanto era antes. Aí decidimos migrar para a Randale.

capas LPs II

As versões picture disc dos dois primeiros LPs, o LP “Working Class Anthems” e o LP duplo “16 Oi! Schorchers!”

Podemos esperar algum material novo para 2014?  

Joost: Vamos lançar um split single com o Gimp Fist em agosto pela Randale Records. Nossa música se chama That Old Tattoo, o vídeo clipe dela acabou de sair. Nosso novo disco Todays Rebellion será lançado no primeiro dia de outubro.

Ok, ficaremos no aguardo! Obrigado pela atenção e esperamos ver o Evil Conduct em solo brasileiro em breve! Enquanto o disco novo não sai, a gente fica com o video clipe novo: That Old Tattoo.

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EVIL CONDUCT. Han, Ray e Joost.