Arquivos da categoria: VINIL DA SEMANA

HUDSON FALCONS “Desperation And Revolution”

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HUDSON FALCONS “Desperation And Revolution” LP

Gravadora: Last Punk Rockers Records

Track listing:

Lado A

1. Working Class War
2. LAMF
3. Worker Fate
4. GLC
5. Free Lori 
6. Pride
7. Monahan’s

Lado B

1. Come Out Ye Black & Tans
2. Sweatshops
3. The Rat Is Dead
4. Jersey City
5. Altar Of The Open Road
6. Revolution
7. Abandoned Vets

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Tive a felicidade de ver o Hudson Falcons dividir o palco com o Rat City Riot em San Diego este ano. Eu já acompanhava o trabalho da banda faz um tempo, então estava bem animado para assistir os caras ao vivo. Os falcões dos pântanos de New Jersey são veteranos da cena. Seu primeiro lançamento foi o CD Desperation and Revolution, lançado pela gravadora GMM em 1997 e relançado agora em vinil colorido pelo selo Last Punk Rockers Records. Comprei minha cópia no show deles, direto da mão do vocalista Mark Linskey. No show a banda arrebentou tudo. Poucas pessoas no bar, mas quem estava lá se divertiu demais e testemunhou dois ótimos shows.

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O LP é recheado de verdadeiros hinos da classe trabalhadora e abre com a magnífica Working Class War. Os caras acreditam no que eles cantam e você sente isso na voz do Mark.  Hudson Falcons é puro street punk rock n’ roll e você ouve isso claramente na música Pride que tem o lindo refrão: “Eles podem te tirar sua casa, seu carro, seu dinheiro. Fazer você trabalhar por menos do que o salário mínimo. Você tem que olhar nos olhos deles, nunca se render. Seu orgulho é a única coisa que eles não podem tirar”.

O lado B abre com a Hudson Falcons flertando com o Irish Punk, isso em 1997 quando ainda não era moda, no excelente cover da música de protesto do IRA (Exército Republicano Irlandês) Come Out Ye Black And Tans. O lado B ainda tem a The Rat Is Dead um excelente punk rock e fecha com a Abandoned Vets sobre os veteranos de guerra que são tratados com desprezo pelo governo americano. Enfim, o disco é puro protesto sem ser chato e panfletário. Um clássico do street punk americano. Como eu gosto de dizer: “Tem que ter!”.

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Na capa temos imagens de Che Guevara, Jesus Cristo e George Washington, um trio, digamos assim no mínimo, inusitado e no encarte está estampada a seguinte frase: “Se você não acredita nos direitos do trabalhador, soberania das nações, direitos humanos, igualdade e liberdade então você não deveria estar ouvindo este disco, você deve é ir se foder!” 

STREET DOGS/NOi!SE split 10”

STREET DOGS/NOi!SE split 10”

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Data de lançamento: Março 2014

Gravadora: Pirates Press Records e Randale Records

Track listing:

Lado A: Street Dogs

1. We’re Still Here

2. Johnny Come Lately

3. First Cut

Lado B: Noi!se

1. Broken Bonds

2. Chameleon

3. The Bottom Rung

Lançado em março deste ano, o Split dez polegadas com os já veteranos Street Dogs de Boston e a Noi!se de Seattle, é um petardo para agradar quem gosta de um street punk muito bem feito.

No lado A o Street Dogs já começa com uma bota na porta com a inédita We’re Still Here, um aviso aos detratores. Nesse som reconheci a voz inconfundível do Lenny Lashley, ex-Darkbuster que gravou este disco e fez turnê com o Street Dogs segurando a bronca na guitarra. Na sequencia mandam um belo cover do cantor country Steve Earle, a excelente Johnny Come Lately, discutivelmente a melhor música do disco. O lado deles fecha com a First Cut uma música mais na boa. Nestas três músicas os cães de rua de Boston provam porque são dignos da coroa de reis do street punk americano. Tive a sorte de ver a banda ao vivo em 2005 duas vezes, uma em San Diego e outra em Nova Iorque. Mike MacColgan é um cara super humilde e atencioso e merece tudo de bom que anda acontecendo com sua banda.

O lado B pertence à Noi!se, uma banda que está ganhando um puta destaque na cena street punk mundial. Fazem um som bem original e começam arregaçando tudo na poderosa Broken Bonds, uma sonzera! Você mal se recupera do primeiro som e os caras já detonam com a Chameleon, street punk com toques de hardcore, uma das influências dos caras. Para fechar com chave de ouro, The Bottom Rung, minha favorita deles neste disco.

Cara vai atrás desse disco. O meu é vermelho, versão do Record Store Day deste ano, e ainda por cima conta com o selo de qualidade Pirates Press Records, aí fica fácil!

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HARRINGTON SAINTS/BOOZE & GLORY split 12″

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HARRINGTON SAINTS/BOOZE & GLORY  “Bruce Roehrs tribute” split 12”

Data de lançamento: Abril de 2011 (Estados Unidos)

Gravadora: Pirates Press Records

Track listing:

Harrington Saints “Claret & Blue”

Booze & Glory “Swingin Fucking Hammers”

Já viu um vinil em forma de martelos cruzados? E um vinil que contém os restos mortais de alguém? Pois é meu amigo, sempre surpreendendo, A Pirates Press Records em parceria com a Longshot Music e a lendária revista punk Maximum Rock-N-Roll lançou esse vinil inusitado para homenagear Bruce Roehrs, colunista da Maximum Rock-N-Roll e figura chave da cena punk/Oi! do norte da Califórnia, que faleceu em 2010 aos 60 anos.

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Para tornar as coisas ainda mais interessantes, além do formato do vinil, a versão preta contém as cinzas do homenageado. Isso mesmo, cinzas, os restos mortais! Por favor, façam isso com minhas cinzas quando eu for desta para a melhor. Vou deixar esse pedido no meu testamento! Que tributo!

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Bruce Roehrs na capa da Maximum RnR

As duas bandas já são velhas conhecidas de quem gosta de um street punk. Harrington Saints são de São Francisco e Booze & Glory de Londres.

Corre lá no site da Pirates Press que algumas cópias ainda estão disponíveis!

LENNY LASHNEY’S GANG OF ONE “Illuminator”

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LENNY LASHNEY’S GANG OF ONE “Illuminator” LP

Data de lançamento: Junho de 2013 (Estados Unidos)

Gravadora: Pirates Press Records & Panic State Records

Track listing:

A1. Kingston
A2. Hooligans
A3. White Man
A4. Happily
A5. Anti-Christmas
B1. U.S. Mail
B2. Heavens Gate
B3. Don’t Exist
B4. Gates
B5. Re-Covering

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Picture disc 7″ (Holdfast Records) e o “US Mail” flexi disc (um cartão postal que toca na sua vitrola!)

Em outubro de 2005 fui ver o Dropkick Murphys ao vivo em San Diego na California. Na turnê The Boston Invasion eles levaram algumas bandas de Boston para abrir, como Gang Green, Lost City Angels e outra que eu nunca tinha ouvido falar, Darkbuster. No camarim o Al Barr falava muito dessa Darkbuster, que eu ia gostar, que os caras eram foda, blá blá blá, mas eu queria mesmo era ver Gang Green tocando aquela podrera skate HC que eu tanto ouvia quando era moleque pelo antológico LP This Is Boston Not LA. 

Quando o Darkbuster subiu no palco para abrir o show não dei nem bola. Afinal, ia ver Gang Green e logo mais testemunhar DKM. Mas bastaram alguns acordes para chamar minha atenção. Punk rock rápido, melódico, curto e grosso. Virei fã naquele momento. Depois do show do DKM, já no estacionamento, o Al Barr me apresentou ao Lenny, guitarrista e vocalista do Darkbuster. Perguntei se tinha CD ou camiseta para vender, mas eles não tinham porra nenhuma. “Vamos lançar um CD em breve” disse ele, “fique ligado”.

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O CD do Darkbuster A Weakness For Spirits acabou saindo um ano depois pelo selo I Scream Records, mas infelizmente nunca saiu em vinil. E é ótimo do começo ao fim. A voz do Lenny é muito única. Um belo trabalho. Tem som lá que é destruidor demais como Skinhead (vídeo clipe desse som é foda!), Stand And Deliver  e London Town. Mas nunca mais ouvi falar da banda.

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LP vinil prata

Até que ano passado a Pirates Press Records junto com a Panic State Records lançaram o LP Illuminator, novo projeto do Lenny, intitulado Lenny Lashney’s Gang Of One em vinil dourado! Sim, meu filho, cor de ouro! E olha, na boa, um dos melhores discos que ouvi em 2013. Você sente a emoção na voz do cara e não é um disco emo. É punk ROCK ‘n’ ROLL puro com riffs e refrãos que vão te deixar de boca aberta.

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Vinil versão bronze. Lenny e os Street Dogs com quem tocou na turnê deste ano como guitarrista.

A honestidade transborda dos sulcos do vinil assim que a agulha toca a primeira faixa, Kingston que já deixa o clima pronto para a grandiosa Hooligans que vem na sequencia e o disco segue lindo e perfeito até a agulha parar no final do lado B. Puta que pariu, fazia muito tempo que eu não ouvia um disco assim, tão sincero, real e poderoso. Uma obra prima. Merecia virar disco de ouro de verdade. A primeira prensagem esgotou rapidinho, então a Pirates Press tratou de fazer a segunda prensagem em vinil prata (gênios!). Essa também esgotou e na terceira prensagem o vinil tem cor de bronze!  Um disco incrível. Corre atrás, “tem que ter”.

Confira o vídeo clipe da música US Mail que abre o lado B do disco. A Pirates Press acaba de lançar um flexi disc single com essa música. Um flexi disc nada mais é que um cartão postal que toca na sua vitrola! Vem encartado na terceira prensagem do LP.

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Primeira prensagem. Vinil dourado em três versões.

 

SÖTLIMPA “A Non Fitting Generation”

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SÖTLIMPAA Non Fitting GenerationMini LP

Data de lançamento: 1984 (Suécia)

Gravadora: Skvaller Records (PROFIT 003)

Track Listing:

A1. Snutvald
A2. Stark
A3. Ayatholla Power
B1. Farligt?
B2. Mölndal
B3. Kallekung
B4. Soldatslakt
B5. Lita Pa Dig Själv

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Quando começamos o Blind Pigs em 1993 eu já conhecia a maioria das bandas inglesas 77 e hardcore americanas dos anos 80. Mas um dos nossos primeiros bateristas, o lendário Done, de Barueri, uns dez anos mais velhos que eu, abriu meus ouvidos ao maravilhoso mundo do punk rock sueco com bandas como Asta Kask e o Sötlimpa que cantavam em sua língua natal. Foi um choque cultural grande. Pela primeira vez eu ouvia uma banda cantar punk rock sem ser em inglês ou português. A coisa era brutal. Melódico, mas agressivo. Nada parecido com o que eu estava acostumado a ouvir.

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Anos mais tarde o Done me presenteou com o Mini LP de 12 polegadas A Non Fitting Generation, do Sötlimpa. Lançado independentemente em 1984, depois de um compacto e duas fitas cassetes, o disco tem claras influencias dos mestres do punk sueco, Asta Kask. Aliás, juro que na faixa Stark, ouço o vocal Jesus falar Asta Kask. A banda é formada por meninos, moleques mesmo, mas não devem nada a nenhuma banda de marmanjo. O LP é bem raro e difícil de encontrar. Creio que nunca foi relançado nem em CD. Infelizmente o Sötlimpa acabou no mesmo ano que lançou o LP, mas deixou um belo registro em forma de vinil.

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FORGOTTEN REBELS “This Ain’t Hollywood…”

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FORGOTTEN REBELS This Ain’t Hollywood… LP

Data de lançamento: 14 de maio 1982 (Canadá)

Gravadora: Star Records (SR 002)

Track Listing:
A1. Hello Hello (I’m Back Again)
A2. Tell Me You Love Me
A3. This Ain’t Hollywood
A4. Don’t Hide Your Face
A5. Memory Lane
A6. Surfin’ On Heroin
B1. Rhona Barrett
B2. The Me Generation
B3. England Keep Yer Stars
B4. Eve Of Destruction
B5. Your Own Little World
B6. Save The Last Dance For Me
B7. It Won’t Be Long

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Para inaugurar em grande estilo a coluna Vinil da Semana, nada mais apropriado que o LP que mudou minha vida. É uma longa estória, mas interessante. Vamos lá!

Logo após a traumatizante perda para a Itália na Copa de 1982, a Marinha do Brasil relocou minha família do Planalto Paulista direto para Ann Arbor, Michigan, no extremo norte dos Estados Unidos. Lá, meu pai, então Capitão de Fragata, foi à loucura nas lojas de discos e acabou descobrindo o hardcore americano por meio de um programa da rádio universitária intitulado Hardcore Attack que ia ao ar nas madrugadas de sexta para sábado. Em um desses programas, Billboard, o DJ, tocou Surfin On Heroin três vezes seguidas. E meu pai testemunhou pela primeira vez o poder e a glória dos canadenses Forgotten Rebels. Foi combinado que nas férias seguintes, a família faria uma viagem de carro até Toronto, no Canadá e lá meu pai comprou o que ele achou dos rebeldes esquecidos.

O primeiro LP do Forgotten Rebels, In Love With The System, é punk rock até a medula, da capa, às letras, à gravação, tudo remete ao punk crú, de protesto. Já em seu segundo LP, “This Ain’t Hollywood…”,  gravado em 1981 e lançado no ano seguinte, eles caem mais para o lado rock do punk rock, tanto é que na capa de trás o nome inteiro do disco é revelado: …This is Rock n’ Roll. O disco já abre com um cover poderoso do ícone do glamrock Gary Glitter, Hello Hello e vai arrebentando tudo em seu caminho. Até a melancólica Don’t Hide Your Face é um puta som. O lado A termina da forma mais rock n’ roll possível, com a politicamente incorreta Surfin’ On Heroin (get a needle gonna stick it in, I’m surfin on heroin, I’m so drugged up I’m so fucked up, I’m surfin on heroin yeah!).

O lado B abre com a melhor música do disco, Rhona Barrett, passa por pérolas como England Keep Yer Stars (um hino anti estrelas do rock) e fecha com a música de amor It Won’t Be Long (It won’t be long until you see me again, just think about me when you fuck other men). Aliás, se você entende inglês, presta atenção nas letras, elas sempre foram uma parte importante do mito Forgotten Rebels.

A primeira prensagem do LP saiu com a banda posando na capa e na contracapa, num visual bem glam. A segunda prensagem saiu logo depois, com uma foto da banda mandando bronca ao vivo, é essa cópia que meu pai comprou em Toronto, e agora está muito bem guardada na minha prateleira.

FORGOTTEN

Em 1983-84 eu pirava em Iron Maiden, Twisted Sister e no disco Thriller do Michael Jackson. Meu pai achava aquilo meio esquisito, mas tudo bem, pelo menos o filho dele ouvia rock. Mas logo ele me deu uma fita K7 com as músicas do Forgotten Rebels e assim que eu ouvi eu soube que era aquilo que eu queria, músicas curtas e grossas, melódicas e cheias de energia, que faziam meu corpo magricelo de 10 anos pular pelo quarto enquanto minha boombox tocava as letras ácidas, ásperas, sarcásticas e críticas do Mickey de Sadist, vocalista dos rebeldes.

This Ain’t Hollywood nunca foi relançado em vinil, nem em CD. Uma jóia rara do punk rock canadense, e porque não, mundial? Uma obra prima do verdadeiro rock n’ roll, gravado com garra, tesão e com o botão do foda-se ligado no máximo.

O Forgotten Rebels continua na ativa até hoje e honra o nome, pois nunca ganhou seu merecido lugar no altar das grandes e influenciáveis bandas punks. Mas até hoje, trinta anos depois, continua sendo minha banda favorita e esse LP continua arrepiando os pelos do meu braço. O melhor disco da minha coleção, a trilha sonora da minha vida.

front rebels hollywood blog

 

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