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TKO RECORDS

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Sempre quis conhecer o quartel general da TKO Records, gravadora que fez escola e entalhou seu nome na história da cena street punk norte americana no final dos anos 90. Afinal, uma boa parte do meu salário naquela época era convertido em dólar, escondido dentro de cartas e enviado para a gravadora montada por Mark Rainey em 1997. Em troca dos meus suados dólares eu recebia em casa a nata do punk americano em vinil e CD. Anos mais tarde fiquei sabendo que quem empacotava minhas encomendas era um tal de Eric Mueller, na época funcionário da TKO e hoje dono da Pirates Press Records.  Este ano tive o prazer de conhecer Mark Rainey pessoalmente na incrível loja da TKO em Huntington Beach, no sul da Califórnia.

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Mark, o que fez você querer montar uma gravadora punk? Por que não começar uma banda? Porra, com uma banda você tem groupies, com uma gravadora você tem dores de cabeça.

Mark: Desde moleque, eu sempre fui completamente obcecado com música, e até hoje, a música é minha vida. No entanto, nas minhas tentativas de fazer isso sozinho, rapidamente se tornou óbvio que eu não tinha o talento e foco necessário para aprender um instrumento. Além disso, eu não tenho a menor noção de ritmo. Então aqui estou. Achei uma maneira de encontrar o meu lugar no mundo da música, para melhor ou para pior. Porra, com certeza, existe dores de cabeça, mas não vamos nos enganar, as bandas têm muito disso também, não é tudo groupies, drogas de graça e passeios de helicóptero, como eu tenho certeza que você sabe!

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Hahahaha! Pode ter certeza! Mark, a TKO Records começou documentando o crescimento da cena street punk do norte da Califórnia nos anos noventa. A gravadora lançou discos clássicos de bandas como The Forgotten, Reducers SF, The Bodies, Workin Stiffs, The Beltones, Generators, Templars, The Bruisers, Dropkick Murphys, US Bombs, Swingin Utters entre muitos outros. Olhando para trás, qual disco te deixou mais orgulhoso?

Mark: Bom, em primeiro lugar eu gostaria de te agradecer por descrever esses discos como clássicos, é muito gratificante ouvir isso. Tenho muito orgulho e me sinto muito honrado por ter tido a sorte de trabalhar com todas as bandas que você mencionou, além de muitas outras com o passar dos anos. Acho que é impossível limitar a minha escolha para um único disco. Isso seria como ter que escolher seu filho favorito de uma família muito grande. Estou orgulhoso de quase todos os nossos lançamentos, e mesmo os que não saíram do jeito que eu esperava me ensinaram algo. Bom, mas falando de coisas recentes, estou orgulhoso pra caralho de nosso lançamento número 200. A banda? Ah, você e seus leitores vão ter que correr atrás para saber!

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Giuda “Let’s Do It Again” LP TKO 200.

Vários dos LPs que a TKO lançou nos anos 90 são encontrados por preços exorbitantes no ebay. Existe alguma chance da TKO relançar alguns em vinil?

Mark: Apesar da TKO hoje em dia se concentrar principalmente em relançamentos, eu gosto da ideia de manter os discos de vinil originais que lancei colecionáveis. Estou pensando em fazer versões em vinil de títulos que foram lançados originalmente apenas em CD. Para a Record Store Day de 2014, eu fiquei feliz de finalmente conseguir prensar o disco On Deaf Ears do Beltones em vinil pela primeira vez. Mas fora algumas exceções, eu estou mais preocupado em seguir em frente e trabalhar em nossos projetos atuais.

Porém, isso não significa que eu não esteja aberto a outros selos fazerem suas próprias reedições de títulos mais antigos da TKO. Nossos amigos da Pirates Press Records nos honraram com a inclusão do LP duplo Runnin Riot Across The USA em sua série de reedições do CockSparrer. Além disso, este ano tivemos o prazer de colaborar com a Pirates Press e a banda Reducers SF em um “box set” de 4LPs que estará pronto para o 10º aniversário da Pirates Press ainda este ano. Foi muito divertido fuçar nos arquivos e encontrar todas as antigas fontes de áudio, vídeo clipes, fotos, panfletos, etc e trazer tudo isso para o box set. Estou ansioso para ver o produto pronto. Eu tenho certeza que a Pirates vai fazer um excelente e caprichado trabalho nesses relançamentos do Reducers SF.

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Qual disco foi o mais difícil de lançar nos primórdios da TKO?

Mark: Essa tá muito mais fácil de responder! Os discos mais difíceis foram os que nunca foram lançados! Hahahaha! Houve alguns, mas os dois que se destacam são o LP da Real Kids que nunca saiu, e The Business com o LP Down The Pub With The Business que até chegou a ir para a fábrica, mas tivemos que cancelar na última hora, devido a uma disputa entre os membros atuais e antigos da banda. É uma pena, muito suor e tempo foram colocados nesses dois discos e eles teriam ficado foda. Mas, não era pra ser.

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A TKO celebrou o seu 15º aniversário há dois anos com o EP Born Criminal do The Old Firm Casuals. Podemos esperar mais lançamentos na pegada street punk em um futuro próximo?

Mark: Esse foi um disco muito divertido de fazer, e eu estou muito orgulhoso de termos justo ele como o nosso disco comemorativo de 15 anos. O Lars Frederiksen tem sido um bom amigo e grande apoiador de todas as coisas TKO desde o primeiro dia, e foi gratificante depois de todos esses anos fazer o selo se voltar novamente para o street punk de San Francisco. O Lars queria que este disco se parecesse com um disco TKO da época, com acabamento de alto brilho na capa, cores vivas e arte pelo artista original da TKO, Mike “Prozac” Novak. Quanto à possibilidade de mais street punk no futuro, é difícil dizer. Com raras exceções, a TKO realmente só faz reedições agora, e estamos focando em apenas algumas poucas bandas. É possível que possamos fazer mais algum disco do Templars, mas mesmo assim vai ser material antigo que nunca foi lançado. Vamos esperar e ver.

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No final dos anos noventa o selo era baseado em San Francisco, hoje a sede é em Huntington Beach, por que a mudança? Será que isso fez o selo ser menos conectado com a cena punk do norte da Califórnia?

Mark: A TKO começou em San Francisco, e foi baseada lá de 1997 a 2002. Enquanto nós definitivamente tivemos um forte enfoque na cena local durante esses anos, desde muito cedo também trabalhamos com bandas do Texas, Nova York, Boston, Atlanta, Florida. Nunca fomos um selo exclusivamente focado em bandas locais. É claro que, se afastando de San Francisco automaticamente nos fez menos diretamente ligados à cena de lá. Mas, geralmente estas cenas locais tem um ciclo de vida bastante curto, de talvez quatro anos. Quando deixamos San Francisco, uma cena que tinha começado com pessoas de vinte e poucos anos já estava no fim, com bandas acabando, casas de show fechando, pessoas casando, começando famílias e se mudando para fora da cidade. É apenas a natureza das coisas. Quando me mudei com minha família de San Francisco, o que ajudei a construir já estava no final de seu ciclo. Ironicamente, os anos se passaram e estamos vivendo uma nostalgia por esta época. Há novas bandas, algumas bandas antigas que saíram da aposentadoria e uma nova geração de fãs. É legal de ver, mas também um pouco engraçado. Originalmente, nunca me ocorreu que isso fosse acontecer 15 anos depois, a gente estava muito focado no momento para pensar no futuro.

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Este ano, durante minha lua-de-mel, tive a sorte de finalmente fazer a minha peregrinação à TKO. E é a melhor loja punk de discos que eu já visitei. Como você consegue manter uma loja tão legal?

Mark: Henrike, mais uma vez, agradeço suas palavras, é muito gentil da sua parte. Foi muito bom conhecer você e sua linda noiva, e sempre fico feliz quando encontro alguém como você de tão longe que aprecia o trabalho que temos feito por tanto tempo. Decidi abrir a loja no final de 2006, época em que muitas lojas de discos em Orange County estavam fechando suas portas. As pessoas achavam que eu era louco de abrir uma, mas por outro lado algumas pessoas rastreavam a localização do nosso escritório e apareciam na porta, esperando que fosse uma loja de discos. Isso me pareceu uma oportunidade. Os primeiros 2-3 anos foram muito difíceis, mas conseguimos sobreviver, compramos o máximo de vinis raros que íamos conseguindo e trabalhamos em construir uma reputação de ser uma loja limpa, organizada, com uma boa seleção. Todos os anos, as vendas iam aumentando, e devido ao Record Store Day e o renascimento do vinil, pelo jeito só há de melhorar. Também acho que o meu amor e paixão pela música, que também é compartilhado pelo pessoal que trabalha aqui comigo, realmente faz a diferença.

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Você coleciona discos? Qual o orgulho de sua coleção?

Mark: Sim, coleciono discos por cerca de 30 anos. Minha coleção tem aumentado e diminuído devido às circunstâncias em minha vida, mas nunca deixei de comprar discos desde que comecei a colecionar a sério quando eu tinha uns 13 anos de idade.

Quanto ao “orgulho da minha coleção”, cara, outra pergunta impossível! Há tantos! Se eu tivesse que escolher um, eu diria que é a minha cópia autografada do single Complete Control do The Clash. É a minha música favorita da minha banda favorita, autografado por todos os quatro membros da banda. Eu ainda acho que é a melhor música punk de todos os tempos. Eu paguei 20 dólares por esse disco há muitos anos atrás e não faço ideia do valor dele agora.

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Você conhece algo da cena street punk brasileira?

Mark: Fora o Blind Pigs, não. Conheço um pouco das bandas clássicas brasileiras como Ratos de Porão, Olho Seco, Clera e Vírus 27. Sei que essa é provavelmente a resposta que a  maioria dos americanos te dão.

Claro que não é uma banda punk, mas conheço Sepultura e vi a banda tocar várias vezes no início dos anos 90, em turnê com Sick Of It All, Sacred Reich e Napalm Death na turnê “New Titans On The Block”. O primeiro disco de uma banda brasileira que eu tive foi o do Sepultura. Se você tem alguma sugestão para mim, serei agradecido!

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Em breve terei Mark! E o que o futuro reserva para a TKO?

Mark: Como sempre, nós temos muitos projetos em andamento no momento. Nós vamos lançar a versão do clássico EP A Place In The Sun de 1983 da banda hardcore YDie todos os lucros vão diretamente para os filhos do nosso amigo falecido, Howard Saunders, que era um amigo da banda e ajudou a lançar a versão original. Também estamos terminando os detalhes de uma caixa de DJ da TKO com discos de 7 polegadas, que vai incluir um distintivo e um livreto. Haverá três versões diferentes, uma versão com cinco discos aleatórios, uma versão com 10 discos aleatórios, incluindo alguns vinis coloridos ou fora de catálogo e uma versão final que vai ter 25 discos, incluindo discos raros e “test pressings”. Será tudo limitado a 100 caixas – maiores detalhes em um futuro próximo – fique esperto no nosso facebook. Além desses projetos, temos mais alguns discos do Antiseen e do Poison Idea que iremos lançar e mais algumas coisas para nos manter ocupados nos próximos anos. Como a banda Negative FX disse “Nós não vamos desistir, foda-se”.

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AGGROBEAT

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O selo holandês Aggrobeat é relativamente novo. Criado em 2011 por Paul Benschop, a Aggrobeat levanta a bandeira dos SHARPs originais (Skinheads Against Racial Prejudice) e se especializa em lançamentos da cena Oi! mundial.

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Kids Of The Street foi a primeira banda Oi! russa que ouvi na vida. Com o interessante lema, Orgulho Sem Preconceito, os hooligans de Moscou detonam um Oi! melódico de qualidade em seu CD Burn It Down. Formada em 2008, a Kids Of The Street já pode ser considerada uma das principais bandas da cena de seu país. Eu só gostaria de ouvi-los cantando algumas músicas em russo, pois o disco é inteiro em inglês. Um lançamento que vale a pena correr atrás.

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Formada por veteranos da cena alemã, a Cracks & Scars lançou seu disco de estreia, Stick To Your Guns, pela Aggro Beat em 2012. Uma mistura de street punk com hardcore cantado em inglês faz do disco uma boa pedida para fãs dos dois estilos.

Os skinheads italianos do Dead End Street quebram tudo pelo caminho com o ótimo compacto de estreia. Street punk nervoso em inglês. A banda tem futuro, e fico no aguardo de um LP com inéditas.

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Outro lançamento interessante da gravadora é o Split LP com os veteranos britânicos The Warriors de um lado, e os alemães Halbstark Jungs do outro. O vocalista do The Warriors, Saxby, é membro original da lendária banda Oi! Last Resort e nesse disco os guerreiros ingleses mandam dois covers de respeito: Cocksparrer e Last Resort (lógico!).  Halbstark Jungs é uma banda relativamente nova na cena alemã e nesse disco mandam três sons em inglês e um em alemão que conta com a participação do vocal da Toxpack.

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Lançado em conjunto com os selos Pug Music e Black Hole Records, o sete polegadas duplo Mess With The Best Die Like The Rest contém quatro ótimas bandas street punks com duas músicas inéditas cada; Revilers dos Estados Unidos, Rust da Australia, Guv’nors da Dinamarca e os alemães Cracks & Scars. Mas o destaque pra mim foram os dinamarqueses da Guv’nors com sua gaita, o que dá um belo toque pras músicas que já são bem legais! Vinil colorido, capa “gatefold” e bandas de qualidade fazem deste lançamento um grande registro.

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Como sempre, deixo o melhor por último. No Man’s Land é uma banda Oi! da Indonésia. Sim, Indonésia! “Parte da família da minha mãe é da Indonésia então meu interesse pelo país é acima da média. A Indonésia era uma colônia holandesa no passado e até hoje a cultura do país asiático ainda é visível aqui na Holanda. Como tenho um grande interesse pela Indonésia e também pelo punk rock, era mais que natural que eu tivesse bandas de lá no meu selo” diz Paul. Pioneiros da cena skinhead no país, a No Man’s Land está na ativa desde 1994 e lançou algumas fitas cassetes, CDs e discos que hoje viraram itens de colecionador. Para o CD The Best Of 1994-2012, a banda regravou 28 das suas melhores músicas e o resultado está espetacular. Um grande registro que não canso de ouvir. O logo dos caras também é fudido: dois leões, um par de Doc Martens cereja e a frase “Love Music, Hate Politics”.

Para celebrar seu vigésimo aniversário a No Man’s Land acaba de lançar um split com seus conterrâneos The Youngs Boots, o EP Malang Skinhead.

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Registrando o crescimento da cena Oi! no país asiático, a Aggro Beat lançou a coletânea Oi! Made In Indonesia, um CD recheado com 25 músicas de 13 bandas e o slogan “Unity in Diversity” (Unidade na Diversidade) estampado na capa.

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Paul também administra o webzine oioimusic.com confere lá que vale à pena, ótimas entrevistas e resenhas da cena street punk mundial.

É isso aí, punk rock é uma língua verdadeiramente universal e a Aggro Beat está aí para provar isso. Vida longa ao selo!

 

REBEL SOUND

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O selo Rebel Sound mal completou três anos de vida e já abrange um catálogo invejável. Criado por Brett Weiss, dono do selo Black Hole Records e Todd Radict ex-vocalista da lendária banda punk The Radicts, o selo segue com toda convicção na contramão da indústria fonográfica, apostando em bandas veteranas que gravam material novo e lançando tudo apenas em vinil.

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Todd Radict em sua loja de disco Skeletone Records em New Hampshire.

Quando recebi o LP de estreia do selo, SKUM, dos veteranos Abrassive Wheels, fiquei meio com um pé atrás, afinal os ingleses não lançavam nada novo há mais de vinte anos e seus LPs antigos são verdadeiros clássicos do punk inglês como o LP When The Punks Go Marching In de 1982, um dos discos que mais gosto daquela época áurea. Bom, a cor do vinil começou bem, rosa chiclete (edição limitada de 100 cópias) para combinar com a arte da capa. As melodias continuam lá, assim como o vocal característico, mas claro que não soa como a banda dos anos 80, soa mais como as bandas street punks de hoje que eles tanto influenciaram. Porém, um bom disco pra quem gosta de um punk rock honesto.

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Você se diz “punk” e nunca ouviu Menace? Então abaixe esse moicano, pendure sua jaqueta rebitada e se trate urgentemente com uma boa dose dos cinco compactos que a banda inglesa lançou no final dos anos 70, cada um, um pequeno pedaço da história do punk. Pois bem, a Rebel Sound tratou de fazer do ótimo LP Too Many Punks Are Dead (que título apropriado!) seu segundo lançamento. A banda já tinha gravado três discos que saíram em CD entre 2001 e 2008 e agora voltam com um disco recheado de músicas que grudam na sua cabeça. Meu vinil é branco (edição limitada de 100 cópias), mas também existem as versões em vinil vermelho e preto.

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Na sequencia temos o EP de outra banda que também mantém seu lugar de honra na tribuna do punk britânico, The Enemy. Eu tenho o excelente LP Last But Not Least de 1984 que, aliás, foi a última coisa que gravaram até a Rebel Sound arrancá-los da aposentadoria e lançar o EP Lie To Me. E não é que os tiozinhos conseguiram gravar um puta EP! Uma volta em grande estilo. Altamente recomendado para quem gosta de punk inglês.  Cem cópias cada em vinil branco, preto e vermelho.

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O LP Boots & Ballads da banda street punk irlandesa Runnin Riot, originalmente lançado em CD em 2009, finalmente teve um lançamento digno em vinil pela Rebel Sound e vale cada centavo. Ótimas músicas com refrãos que fazem você cantar junto (aliás, enquanto escuto o LP pela décima vez e escrevo esta resenha, minha esposa assobia o refrão da música That’s When The Boots Fly In). Um grande disco desta banda de Belfast que está na ativa há pelo menos duas décadas e merece sua atenção. Um dos melhores discos do selo.

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Foreign Legion, do País de Gales, são de 1984, já tiveram um LP produzido pelo notório Mick Jones (The Clash) e agora soltam esse torpedo em forma de vinil, Light At The End Of The Tunnel. Um LP sólido do começo ao fim. Oi! simples com um som característico e uma batida contagiante. Outra bela surpresa da Rebel Sound em conjunto com o selo Aggrobeat.

O EP Lines da banda Epic Problem traz um som street punk mais moderno e muito bem produzido, e os ingleses mostram que não estão de brincadeira quando a agulha encosta no lado B e começa a música Sink, um verdadeiro hino seguido por um lindo cover do Beltones! Formada em 2010, esse é o terceiro lançamento deles e minha agulha não sai do lado B!

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Fugindo um pouco do clima cinza do Reino Unido, a Rebel Sound foi até a ensolarada Sydney, na Austrália para escolher seu próximo disco e voltou com o EP Rough Ready & Razored da banda street punk Rust. Formada em 2005, seus integrantes são velhos conhecidos da cena australiana. O EP em vinil vermelho é um assalto sonoro não recomendado para os mais fracos do coração. Uma pegada bem britânica com um toque dos bad boys originais da Australia, Rose Tattoo.

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Rust também está presente no Split EP Olde World New World. O vinil dourado tem Rust no lado A, que mantém seu ataque sonoro e não tira o pé do acelerador nem no cover de Concrete Jungle. No lado B os ingleses do Keyside Strike misturam psychobilly e hardcore em três sons poderosos e ainda detonam um cover foda de Youth do Blitz. Aliás, todos os singles e EPs do Rust estão reunidos no LP Doctors, Lawyers, Strippers and Fools.

Quando o vinil é cor de cerveja já é um ótimo sinal! Pois bem, os australianos do Plan Of Attack com o EP Brisbane Oi! glorificam a dura vida skinhead com um vocal rouco e de quebra fazem uma homenagem aos padrinhos Rose Tattoo, que as bandas australianas parecem idolatrar.

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Shameless é um trio skinhead da cidade de Lyon na França. O picture disc Guilty é uma reprensagem do disco de estréia que saiu em 2012 na França. Dez hinos Oi! cantados em inglês fazem do belo picture disc (edição limitada de 500 cópias) uma grande aquisição para quem coleciona Oi!

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Das ruas de Los Angeles, surgem os skinheads da banda Toughskins com o EP Keep The Faith. A banda já está na cena faz umas duas décadas cantando a sobre o lado sujo e violento da cidade dos anjos. Músicas rápidas com letras agressivas, como o petardo Crack Some Skulls (Arrebentar Uns Crânios) fazem desse vinil uma bela aquisição para quem gosta de um Oi! americano bem tocado e bem produzido.

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Continuando no tópico “American Skinheads”, seguimos em frente com o Split EP Colorado Oi! Um verdadeiro petardo. Cru e simples. O lado A já começa arregaçando com a 99 Bottles, banda relativamente nova, que surpreende na ótima Skinhead Violence. Total Annihilation segundo a própria banda, faz um “Oi! patriota politicamente incorreta para hooligans” (um prato cheio para os antifas!) e manda um som próprio mais um cover do Templars no lado B. Definitivamente este não é um disco recomendado para os fracos de coração.

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Pittsburgh, conhecida como a “cidade do aço”, é o berço dos americanos Traditionals. Já em seu quinto álbum, Steel Town Anthems, os calejados veteranos cantam as mazelas e conquistas da classe trabalhadora em um disco pesado, acelerado e extremamente bem produzido. Street punk de peso.

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Do Texas temos a Sniper 66, street punk com direito a moicanos e rebites! O LP homônimo é um ótimo primeiro disco, uma grande estreia. A banda foi formada em 2009 e os caras estão para lançar seu segundo LP ainda neste ano. Enquanto isso corre atrás desse LP que é diversão garantida na sua sua próxima festa punk.

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Como de praxe, gosto de deixar o melhor por último, e se você leu até aqui, sorte sua, porque esse dez polegadas é um daqueles discos que eu falo que “tem que ter!”. Super caprichado, da capa gatefold à produção das músicas, a Dog Company mostra porque já merece estar no meu top 5 deste ano com o disco War Stories. Há uma década atrás, das cinzas da banda horror punk The Staggers, surgiu a Dog Company. Esse é o terceiro e melhor disco deles. Punk Rock melódico cantado com vontade. Só sonzera do começo ao fim. Meu vinil é cinza, mas também vem nas cores verde exército, mostarda e preto.

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A Rebel Sound promete muito mais lançamentos para este ano, como Vanilla Muffins, Antagonizers ATL, The Warriors, Anti Nowhere League entre outros. Fique esperto no site da REBEL SOUND para não ficar por fora das novidades.  Você pode encontrar esses discos na loja do Todd, a Skeletone Records, já encomendei coisa por lá e o cara é super honesto. E para deixar você ainda mais feliz, alguns lançamentos do selo estão disponíveis aqui mesmo no Brasil na loja virtual da Hearts Bleed Blue.

E fique esperto no programa de rádio Semper Adversus na Antena Zero, toda quinta às 22:00. Lá você ouve os discos da Rebel Sound entre outros petardos.

LONGSHOT MUSIC

 

SELOS IND LONG

A Longshot Music, sem sombra de dúvidas uma das gravadoras street punks mais prolíferas da atualidade, comemora seu vigésimo aniversário este ano. Criada no Canadá por Mike Josephson, o selo atualmente divide o quartel general com a Pirates Press Records na costa oeste dos Estados Unidos, na cidade de São Francisco. Parceria parece ser a palavra chave da Longshot, pois muitos de seus discos são lançados em cooperação com selos europeus. Mike frisa que isso ajuda a reduzir os custos finais e disponibiliza o disco na Europa e nos Estados Unidos por um preço decente. “Assim quem sai ganhando é o fã das bandas. Mas confesso que ainda penso no selo como um hobby porque é algo que adoro fazer. Já pensei em largar tudo várias vezes, mas aí ouço uma puta banda e saio da aposentadoria”, diz ele rindo. Mike aliás toca baixo nas bandas Sydney Ducks e Suede Razors (que acaba de lançar um single pela Pirates Press Records).

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A Longshot Music estreou com um tributo à lendária banda The Opressed chamado Urban Soldiers. “Pois é, eu honestamente pensei que iria lançar apenas um disco e se esse fosse o único disco do selo eu já estaria feliz, mas cada disco levava a outro e agora mais de quinze anos depois a Longshot já conta com mais de 150 discos em seu catálogo” diz Mike com um certo ar de orgulho.  Fã do formato sete polegadas (o famoso compacto), Mike tem várias destas pérolas em vinil no vasto catálogo do selo, como o lindo picture disc Walk Beside Us da NOi!SE, banda de Seattle que anda recrutando muitos admiradores. O vocalista Matt é soldado do exercito americano e a banda aproveita para gravar e excursionar quando ele não está em lugares exóticos como Coréia e Afeganistão. A NOi!SE faz um som street punk melódico e original cantado com a dose certa de raiva (e com um vocal bem característico) no dez polegadas This Is Who We Are e no excelente LP Pushing On, uma coletânea que inclui os dois discos previamente citados mais algumas faixas.

NOi!SE

Com uma Doc Martens bem lustrada (com bico de aço, claro!) fincada no hardcore e outra no Oi!, a Razors In The Night, da cidade de Boston, tem em seu disco Carry On, uma estreia respeitável. Um belo dez polegadas com capa gatefold e vinil colorido, caprichadíssimo.

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O 45 Adapters bebe de fontes como o Mod, o Pub Rock, o Oi!, o Glam e mistura tudo no EP Dress Well, Drink Heavily. O resultado é um soul punk que conquistou muitos fãs para esta banda de Nova Iorque, incluindo eu.  

Mais ao norte, nas ruas frias do Canadá, o street punk está firme e forte, como atestam as excelentes bandas The Crackdown, Knucklehead e Bishops Green. The Crackdown lembra muito Rancid e as seis faixas do Split LP com a banda glam punk alemã Hiroshima Mon Amour são matadoras.

Knucklehead no ótimo LP Hearts On Fire soa como um Bouncing Souls com uma pegada mais forte e agressiva. Um belo disco que me deixou com vontade de quero mais. Uma grata surpresa, pois não conhecia a banda.

45 Adapters Knucklehead

Bishops Green, que periga se tornar um dos ícones da cena street punk mundial, é liderada por Greg Huff, uma lenda viva do punk canadense. O Mini LP de estreia leva o nome da banda e já está na terceira prensagem (cada prensagem com vinis de cor diferente mais a versão picture disc) e eles acabam de lançar o LP Pressure que já está sendo considerado um clássico do estilo. Punk rock de rua melódico, ótimas letras cantadas com a característica e inconfundível voz do Mr. Huff. E um tal de Lars Frederiksen ainda dá uma palinha numa faixa. Altamente recomendado!

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Do outro lado do Oceano Pacífico, na Austrália, só bandas fodas. Days Gone By é o primeiro LP da Marching Orders e desde então esta excelente banda Oi! lançou mais dois compactos  e o LP Living Proof. Além da Marching Orders, o vocalista Al também empresta a voz para a banda Razorcut no 10 polegadas Gone Are Those Days, um puta disco Oi! que te dá vontade de sair quebrando tudo. Razorcut aliás, é minha banda favorita dessa nova safra australiana junto com Slick 46, um power trio street punk onde a baixista canta algumas músicas. O disco Hurry Up é destruidor, são nove faixas do mais puro Oi! old school e o vinil azul e amarelo é lindo demais. Outro belo trabalho do Slick 46 é o picture disc Young Love.

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Os meninos do Marching Orders não param. O guitarrista e o baixista também têm um projeto paralelo, a excelente Stranglehold, com duas meninas, uma na voz e outra nas baquetas.  O single Never Hold Me Back é uma boa dica assim como o 10 polegadas que carrega o nome da banda.

AUSTRALIA

Na Europa a cena só cresce e a Longshot registra tudo em vinil. Da República Tcheca, temos a banda skinhead Saints & Sinners com o compacto Our City. Do País Basco, a veterana banda punk Jonny Gerriwelt chega com o LP Living With Class.

Klasse Kriminale, embaixadores da cena italiana, lançaram o LP Oi! Una Storia recheado de hinos punks cantato in italiano. 

EUROPA

A Longshot também tem algumas coletâneas no formato sete polegadas que são bem interessantes. A Better Tomorrow mostra a nova geração do Oi! americano com NOi!SE, Razors In The Night, Broadsiders e Sydney Ducks.

Red White & Blue (Which Side Are You?) é um sete polegadas duplo com os californianos Old Firm Casuals (a banda Oi! do guitarrista do Rancid, Lars Frederiksen) e Harrington Saints em um vinil e os ingleses Argy Bargy e Booze & Glory no outro. Um disco bruto, desde a escolha das bandas (só pesos pesados) às opções de cor do vinil.

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Falando em Booze & Glory, a banda Oi! do momento, a Longshot lançou o LP Trouble Free e relançou o LP de estreia Always On The Wrong Side em picture disc. O meninos de Londres uniram forças com o conterrâneo Micky Fitz, vocalista do The Business e juntos gravaram um EP tributo ao time de futebol West Ham United (até nas cores do vinil).

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Outra banda punk inglesa é a Control, um híbrido de Oi! e GBH, com uma sonoridade bem britânica nos dois ótimos LPs Hooligan Rock n Roll e Punk Rock Ruined My Life.

CONTROLFINAL

Pois é, o punk rock arruinou minha vida também, afinal de contas, hoje eu poderia ser um político com um trabalho digno e honesto ao invés de cantar no Blind Pigs. Brincadeiras à parte é gratificante ver selos como a Longshot Music lançando discos de qualidade. “O crédito é das bandas, que são comprometidas a ensaiar, tocar ao vivo e gravar. Porque como você e eu sabemos muito bem Henrike, por também termos nossas próprias bandas, estar em uma boa banda punk rock requer muita dedicação e trabalho duro. E são justamente essas bandas que fazem a Longshot Music o que ela é hoje, um selo de respeito” enfatiza Mike com muita humildade. Pois é meu amigo, falou tudo. Parabéns ao selo e às bandas.

Você pode comprar os discos da Longshot Music diretamente pelo site da Pirates Press Records.ou procurar na loja virtual do selo brasileiro Hearts Bleed Blue pelo site www.hbbstore.com